Música - o que andam a ouvir?

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Lorde X
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Re: Música - o que andam a ouvir?

Mensagem por Lorde X » janeiro 30, 2019, 11:37 am

mansildv Escreveu:
janeiro 30, 2019, 10:01 am

Vou seguir a tua sugestão! Os primeiros álbuns estão com bons preços :-)))

Sou capaz de comprar o pack Os Dias de Madredeus + Elixir por €8!
Fazes bem em aproveitar! Dois álbuns fantásticos por uma bagatela!!! :shock: O meu encanto pelos Madredeus começou quando, sem saber para o que ia, acompanhei o meu irmão a um concerto que eles deram no Mosteiro de Leça do Balio, em Matosinhos, Porto, integrado na digressão do 2º álbum deles, o "Existir". Fiquei fascinado…

Quanto aos álbuns deles, posso te dizer o seguinte:

Os Dias da Madredeus - Um álbum que apenas peca pela fraca qualidade sonora, já que foi gravado ao vivo na Igreja de Madre de Deus (e daí adveio o nome do grupo). Inovador e muito experimentalista. Nota-se que estavam à procura de um caminho musical e aventuraram-se a fazer experiências bem interessantes, das quais saíram obras primas como a Vaca de Fogo.

Existir - Para mim é a obra prima e marco maior deles! Todas as músicas são boas! Encontram o seu som e há equilíbrio entre todos os membros do grupo, não só quanto a composição, mas também ao espaço que cada instrumento assume. O meu álbum preferido deles!

O Espírito da Paz - ainda gosto muito deste álbum, mas quanto a mim a presença nas músicas de duas guitarras prejudicou o som do grupo pois tal levou a que as melodias do acordeão do Gabriel Gomes fossem relegadas para segundo plano, ficando menos audíveis. Por outro lado, eventualmente com fins comerciais, a sua sonoridade ficou mais calma e mais próxima do tradicional fado, perdendo muito do que os tornava tão característicos. Gostava que não tivessem perdido a paixão presente em músicas como a Vaca de Fogo e o Pastor. Ainda assim, este álbum tem excelentes músicas e é o que coloco em 2º lugar no patamar das minhas preferências.

Ainda - Músicas que sobraram das gravações do álbum Espírito da Paz e que foram usadas na banda sonora do filme Lisbon Story de Wim Wenders. Tem boas músicas.

O Paraíso - nova formação (sem o Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e o Francisco Ribeiro) e o último dos bons álbuns deles. 14 canções, ou seja, sem qualquer música instrumental e em que as músicas estão muito subordinadas à voz da Teresa Salgueiro. Por mim eliminaria 4 canções menos boas das 14. Nenhum dos novos membros faz sombra aos que saíram. O Carlos Maria Trindade não se compara ao Rodrigo Leão, ficando também o sintetizador com a função quase apenas de acompanhamento e de música de fundo...

A partir desta fase, os álbuns dos Madredeus passam a ter, unicamente, 2 ou 3 músicas boas, compostas pelo Pedro Ayres Magalhães. As compostas pelos novos membros roçam a medianidade e a mediocridade… passaram já por muitas metamorfoses, tendo a certa altura a Teresa Salgueiro saído do grupo. Não conheço bem os álbuns dessa fase, com a Banda Cósmica e duas diferentes cantoras pois, do que ouvi, não apreciei… Já o último álbum dos Madredeus, Capricho Sentimental, com a vocalista Beatriz Nunes, é bom, embora longe dos primeiros álbuns. Comprei-o mas ainda não tive oportunidade de o ouvir com cuidado.

Raramente na música os "astros se conjugam" e temos a felicidade da coexistência, no mesmo grupo, de mais do que um génio musical. Quanto tal sucede, os grupos entram na história da música (Beatles, Pink Floyd, etc). Nos Madredeus todos os 5 membros originais eram geniais com os seus instrumentos/voz e tínhamos dois compositores de eleição, o Rodrigo Leão e o Pedro Ayres Magalhães, sendo de realçar também as peças compostas pelos restantes membros do grupo.

Infelizmente, como muitas vezes sucede, houve jogos de força e divergências quanto às opções musicais e venceu o Pedro Ayres Magalhães (a ideia que tenho é que o Rodrigo Leão pretendia continuar a desbravar novos caminhos, tal como fez nos seus álbuns a solo)… Como também sempre sucede, o todo é maior do que a soma das partes e a meu ver nenhum dos álbuns dos Madredeus ou dos seus membros a solo se aproximam dos dos Madredeus da sua fase de ouro (exceção são os 3 primeiros álbuns do Rodrigo Leão, os quais são geniais e, não será coincidência, contam com a colaboração do Gabriel Gomes, Francisco Ribeiro e Teresa Salgueiro...). Se não conheces, ouve esses 3 álbuns, o CD Ave Mundi Luminar, o EP Mysterium e o CD Theatrum. Para mim são imprescindíveis!

E já agora outras duas sugestões! :-)

V Império - Gosto imenso deste grupo que infelizmente só lançou um álbum (Mar de Folhas). Uma sonoridade épica com influência dos teclados do Rodrigo Leão e com a força dos primeiros tempos dos Madredeus.

https://www.fnac.pt/V-IMPERIO-Mar-De-Fo ... um/a535713



A Teresa Salgueiro, na sua carreira a solo, lançou muitos álbuns, todos eles diferentes. O único de que gostei (tenho na coleção e já o ouvi muitas vezes) e que "plagia" a sonoridade dos primeiros tempos dos Madredeus é: "O Mistério".

Última edição por Lorde X em fevereiro 1, 2019, 10:37 am, editado 1 vez no total.
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Samwise
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Re: Música - o que andam a ouvir?

Mensagem por Samwise » janeiro 30, 2019, 6:36 pm

Viva. Também sou apreciador dos primeiros tempos dos Madredeus, e da formação inicial que tinha em conjunto a força e a genialidade que o Lorde X muito bem descreveu. Deixei de ouvir e de gostar a partir do "desmembramento". :cry:

Deixo a sugestão para o concerto que deram no Coliseu dos Recreios em 1991, e que conta com a participação de Carlos Paredes nalguns temas (2, salvo erro). Foi lançado em álbum duplo (ver aqui).

Mais do que as músicas originais que estão nos dos álbuns anteriores, gosto dos temas tal como estão interpretados neste concerto. As duas músicas mais famosas desses tempos, O Pastor e A Vaca de Fogo, têm neste concerto versões absolutamente imaculadas, com a voz da Teresa a soar melhor do que nunca - só à conta da diferença na voz dela, quase que me faz confusão ouvir as versões de estúdio...



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Lorde X
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Re: Música - o que andam a ouvir?

Mensagem por Lorde X » janeiro 31, 2019, 10:34 am

Samwise Escreveu:
janeiro 30, 2019, 6:36 pm
Viva. Também sou apreciador dos primeiros tempos dos Madredeus, e da formação inicial que tinha em conjunto a força e a genialidade que o Lorde X muito bem descreveu. Deixei de ouvir e de gostar a partir do "desmembramento". :cry:

Deixo a sugestão para o concerto que deram no Coliseu dos Recreios em 1991, e que conta com a participação de Carlos Paredes nalguns temas (2, salvo erro). Foi lançado em álbum duplo (ver aqui).

Mais do que as músicas originais que estão nos dos álbuns anteriores, gosto dos temas tal como estão interpretados neste concerto. As duas músicas mais famosas desses tempos, O Pastor e A Vaca de Fogo, têm neste concerto versões absolutamente imaculadas, com a voz da Teresa a soar melhor do que nunca - só à conta da diferença na voz dela, quase que me faz confusão ouvir as versões de estúdio...
Como é que eu cometi o crime de me esquecer desse álbum duplo!!!... :roll: Bem lembrado Samwise! Já não o ouço há muito tempo mas fiquei com vontade de o revisitar! Tem duas músicas com a presença da guitarra do Carlos Paredes. Uma delas dos Madredeus, relativamente à qual tenho a ideia que a fusão entre a instrumentação dos Madredeus e a guitarra do Carlos Paredes não foi bem conseguida, limitando-se este a ir improvisando umas frases musicais. E tem outra, uma música instrumental do Carlos Paredes à qual foi acrescentada a voz da Teresa Salgueiro e que está excecional!



Sempre adorei e admirei o Carlos Paredes, não só o génio presente nas suas composições musicais, mas também a sua postura sóbria e humilde. Uma das suas frases, muitas vezes citada, é esta: "Amo demasiado a música para viver à custa dela!!

O que ele conseguiu é algo que transcende a guitarra portuguesa. As suas músicas entraram já no imaginário português e quando as ouvimos sentimos muito do que significa ter nascido neste "jardim à beira mar plantado".

Por outro lado, ele conseguiu algo que é muito difícil e que muitos poucos instrumentistas conseguiram e que é conciliar técnica e sentimento. Normalmente, à medida que um qualquer instrumentista adquire técnica, vai perdendo sentimento, ou melhor dizendo, na execução do instrumento vai se perdendo em escalas, arpejos e, de alguma forma, deixa de conseguir expressar as suas emoções, ou começa a fazê-lo com menos intensidade…

Um em que notei isso foi o Mark Knopfler! Cujos álbuns com os Dire Straits eram geniais, não só na criação de várias músicas intemporais, mas também porque qualquer pequena frase da guitarra soava plena de emoção. Infelizmente nunca assisti a um concerto deles, mas fui a um concerto do Mark Knopfler, no Coliseu do Porto, aquando da promoção do seu álbum a solo "Golden Heart". Recordo-me de, nessa altura, ele dizer nas entrevistas que estava a tocar melhor guitarra e de eu ter ficado dececionado, quando nesse concerto o vi a fazer arpejos como qualquer vulgar guitarrista tecnicista, sem a beleza das melodias simples que permeavam as músicas dos álbuns dos Dire Straits…

Voltando ao Carlos Paredes, ele conseguiu esse feito de atingir uma técnica incrível, sem que cada nota deixasse de transpirar sentimento. Isso é muito raro e por isso o Carlos Paredes, para mim, está num patamar que poucos mortais alcançam!

Tenho pena que os caminhos que ele explorou não tenham tido seguidores. Pois julgo que havia muito território musical virgem a desbravar, com a fusão com outros instrumentos. Por isso é que tenho muita pena que os Madredeus não tenham seguido nessa senda de exploração e descoberta de novas sonoridades. A música do Carlos Paredes que teve o acompanhamento e voz dos Madredeus e que se ouve nesse concerto que o Samwise referiu, foi um primeiro degrau que poderia elevar a música portuguesa a patamares fantásticos. Mas infelizmente os Madredeus seguiram outros caminhos musicais, como é do conhecimento geral… :-(

Já agora, uma curiosidade que descobri no youtube e que eu desconhecia. A canção "Verdes Anos" do Carlos Paredes, a qual, tanto na sua versão instrumental como cantada, entrou na banda sonora do filme "Os Verdes Anos" (1963) de Paulo Rocha, foi entretanto cantada por várias vocalistas, uma das quais a Teresa salgueiro que, infelizmente, não incluiu a sua versão em nenhum dos seus álbuns editados.

Última edição por Lorde X em fevereiro 2, 2019, 2:39 am, editado 6 vezes no total.
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Lorde X
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Re: Música - o que andam a ouvir?

Mensagem por Lorde X » janeiro 31, 2019, 11:02 am

Já que falei do Carlos Paredes, aqui fica a menção ao "Movimentos Perpétuos – Cine-tributo a Carlos Parede", realizado pelo Edgar Pêra e que é uma das pérolas obscuras que muito gosto tenho em o ter na minha colecção!

Julgo que ainda se encontra facilmente à venda, inclusivamente na FNAC.

Um documentário sobre o Carlos Paredes, bem diferente dos documentários habituais! Uma junção insólita, marcante e inesquecível, entre a música do Carlos Paredes e a filmagem psicadélica do Edgar Pêra.

Sinopse do DVD: "Movimentos Perpétuos” é um excelente cine-tributo de Edgar Pêra ao mago da guitarra, Carlos Paredes. Entre histórias e testemunhos, são 17 os movimentos que revelam parte da genialidade do grande mestre que foi Carlos Paredes. Documentário filmado em Super8, foi multipremiado no Festival Indie Lisboa (melhor longa-metragem portuguesa; melhor fotografia para filme português e prémio do público para longa-metragem).

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JoséMiguel
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Re: Música - o que andam a ouvir?

Mensagem por JoséMiguel » março 23, 2019, 2:15 am

As espanholadas que o Zé anda a descobrir...



Comentário:

Esta canção de 1972 tornou-se num hino à emancipação da mulher, na Espanha fascista, recordo que em 1972 as mulheres espanholas não possuíam os mesmo direitos das mulheres portuguesas, apesar de ambos os países ibéricos serem fascistas católicos. O Nacional-Catolicismo (Religião aliada com o Nazismo político) lixou as mulheres espanholas muito mais do que as mulheres portuguesas, nessa época.

Eu adoro a pinta da cantora Mari Trini, a fazer o belo do manguito aos fascistas e aos padres da Igreja. salut-) yes-)



Fiquei apaixonado pela Jeanette dos anos 70/80, era uma moçoila muito gira e sexy, gosto das letras e de admirar a voz dela a cantar. :-D
Não existe nada de político nas letras da Jeanette, são apenas letras românticas e muito bonitas.

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