HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Questões relacionadas com leitores de DVD/BR de mesa, desbloqueio de regiões, receptores A/V, televisores, colunas e outro equipamento de home theater.
rui sousa
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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por rui sousa » fevereiro 9, 2019, 2:30 am

Só um aparte em relação à Cinemateca. Tem havido um movimento revivalista do 35mm (aquilo que antes era um formato normal nos cinemas é agora coisa especial que é usada para promover sessões mais criteriosas) mas enquanto houver a Cinemateca, haverá um grande esforço para passar filmes em película, sempre que possível. Nem falo pela questão do "purismo" (já lá vi óptimos DCPs puros - não confundir com blurays, que já muitas salas passam Infelizmente e em que o preço é o mesmo), mas pela durabilidade.

Senão vejamos: há uns sábados atrás fui assistir a um double bill na Cinemateca. O segundo filme foi "7 Women", canto de cisne de John Ford e com raríssima circulação (em home vídeo só foi editado num DVD bootleg).

Fiquei maravilhado por a cópia ser da época do lançamento original do filme em Portugal, antes do 25 de Abril! Não tinha cortes de sequências, mas alguns diálogos mais "incómodos" não tinham legenda (táctica habitual da censura do Estado Novo).

A cópia tinha riscos e etc, mas com mais de 50 anos deu um visionamento prazeiroso.

E uma cópia digital? Quanto tempo dura? Já ouvi histórias de DCPs que deixaram de funcionar ao fim de 5 anos!

A Cinemateca, por causa disso (e ainda bem!) não está 100% focada no digital. Os restauros podem ser digitais, sim senhor, mas fazem o trabalho de tirar novas cópias em película desses restauros. Creio até que todoa os filmes depositados no ANIM têm de ter uma cópia em 35mm.

Por isso não sejamos tão extremistas. O 35 mm terá de continuar a existir - se não for pelo público, ao menos qie seja pela preservação do cinema! Assusta-me pensar a quantidade de filmes digitais que vamos perder nas próximas décadas, caso não se façam backups analógicos.

Já agora, nisto do digital vs película, uma história curiosa:
In one of the most famous examples of the perils of digital preservation, when the makers of Toy Story attempted to put their film out on DVD a few years after its release, they discovered that much of the original digital files of the film — as much as a fifth — had been corrupted. They wound up having to use a film print for the DVD. “That was the first major episode to draw public attention to the fact that digital files are a challenge when it comes to conservation,” says Usai. (Somewhat hilariously and almost tragically, a similar fate came close to befalling Toy Story 2, which nearly got nuked when someone accidentally hit a “delete” button.)
https://www.vulture.com/2014/12/perils- ... uture.html

technicolor
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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por technicolor » fevereiro 10, 2019, 3:53 pm

rui sousa Escreveu:
fevereiro 9, 2019, 2:30 am
Só um aparte em relação à Cinemateca. Tem havido um movimento revivalista do 35mm (aquilo que antes era um formato normal nos cinemas é agora coisa especial que é usada para promover sessões mais criteriosas) mas enquanto houver a Cinemateca, haverá um grande esforço para passar filmes em película, sempre que possível. Nem falo pela questão do "purismo" (já lá vi óptimos DCPs puros - não confundir com blurays, que já muitas salas passam Infelizmente e em que o preço é o mesmo), mas pela durabilidade.

Senão vejamos: há uns sábados atrás fui assistir a um double bill na Cinemateca. O segundo filme foi "7 Women", canto de cisne de John Ford e com raríssima circulação (em home vídeo só foi editado num DVD bootleg).

Fiquei maravilhado por a cópia ser da época do lançamento original do filme em Portugal, antes do 25 de Abril! Não tinha cortes de sequências, mas alguns diálogos mais "incómodos" não tinham legenda (táctica habitual da censura do Estado Novo).

A cópia tinha riscos e etc, mas com mais de 50 anos deu um visionamento prazeiroso.

E uma cópia digital? Quanto tempo dura? Já ouvi histórias de DCPs que deixaram de funcionar ao fim de 5 anos!

A Cinemateca, por causa disso (e ainda bem!) não está 100% focada no digital. Os restauros podem ser digitais, sim senhor, mas fazem o trabalho de tirar novas cópias em película desses restauros. Creio até que todoa os filmes depositados no ANIM têm de ter uma cópia em 35mm.

Por isso não sejamos tão extremistas. O 35 mm terá de continuar a existir - se não for pelo público, ao menos qie seja pela preservação do cinema! Assusta-me pensar a quantidade de filmes digitais que vamos perder nas próximas décadas, caso não se façam backups analógicos.

Já agora, nisto do digital vs película, uma história curiosa:
In one of the most famous examples of the perils of digital preservation, when the makers of Toy Story attempted to put their film out on DVD a few years after its release, they discovered that much of the original digital files of the film — as much as a fifth — had been corrupted. They wound up having to use a film print for the DVD. “That was the first major episode to draw public attention to the fact that digital files are a challenge when it comes to conservation,” says Usai. (Somewhat hilariously and almost tragically, a similar fate came close to befalling Toy Story 2, which nearly got nuked when someone accidentally hit a “delete” button.)
https://www.vulture.com/2014/12/perils- ... uture.html

Todos suportes digitais ou analógicos são mais ou menos perecíveis, dependendo obviamente das condições de fabrico e conservação dos mesmos. O analógico (como referido no artigo incluído no teu comentário) tem a vantagem de ser tecnologicamente mais "simples" mas o digital permite uma maior difusão de cópias (backups) e sim concordo inteiramente contigo no que refere a importância de manter arquivos com os dois formatos.
Afinal o cinema é um património artístico tão importante como a pintura, a música ou a literatura...

A propósito do referido no outro tópico, o "downgrade" :-? que se verifica na oferta de conteúdos video disponível no nosso mercado (preponderância do velhote DVD em detrimento do mais recente BD) não é (na minha opinião) culpa dos editores, o parque de leitores terá estagnado no formato digital mais antigo e para acederem aos novos "títulos" os consumidores regulares recorrem agora maioritariamente ao VOD (?)
Seria interessante saber números de vendas de filmes cá em Portugal em formato BD mas... não encontrei. Calculo que não ultrapassem em muito os dois milhares... e se for isso é compreensível. A actividade editorial (por parte de privados) tem que ser lucrativa.

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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por rui sousa » fevereiro 11, 2019, 9:13 am

Eu até sinceramente já nem me preocupa se os filmes são editados cá em HD ou não. Já nem vale a pena.

Preocupa-me é a forma galopante como a multiplicidade de novos formatos proporcionados pelas tecnologias de ponta fazem com que "conteúdos" (odeio esta palavra) que não foram feitos nesses formatos, mas sim noutros que não permitem upgrade, serão deixados para o lado, independentemente da sua qualidade!

Recordo-me por exemplo de todo um manancial de excelentes séries e programas de TV que não foram gravados em película (o que permitiria um restauro em HD), mas no limitado videotape. Se em TVs 4K um DVD já tem o estado que tu explicaste, como ficará um episódio do Flying Circus? E por ficar tão mal irá ficar para trás?

E daqui a 20 anos, como irão as pessoas olhar para os filmes digitais de hoje, produzidos numa resolução determinada que não pode ser aumentada, e que, comparados às cada vez maiores definições de imagem, não conseguirão impôr-se? É que ao menos a película permite esse upgrade...

É algo que me preocupa muito, honestamente.

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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por technicolor » fevereiro 12, 2019, 10:01 am

rui sousa Escreveu:
fevereiro 11, 2019, 9:13 am
Eu até sinceramente já nem me preocupa se os filmes são editados cá em HD ou não. Já nem vale a pena.

Preocupa-me é a forma galopante como a multiplicidade de novos formatos proporcionados pelas tecnologias de ponta fazem com que "conteúdos" (odeio esta palavra) que não foram feitos nesses formatos, mas sim noutros que não permitem upgrade, serão deixados para o lado, independentemente da sua qualidade!

Recordo-me por exemplo de todo um manancial de excelentes séries e programas de TV que não foram gravados em película (o que permitiria um restauro em HD), mas no limitado videotape. Se em TVs 4K um DVD já tem o estado que tu explicaste, como ficará um episódio do Flying Circus? E por ficar tão mal irá ficar para trás?

E daqui a 20 anos, como irão as pessoas olhar para os filmes digitais de hoje, produzidos numa resolução determinada que não pode ser aumentada, e que, comparados às cada vez maiores definições de imagem, não conseguirão impôr-se? É que ao menos a película permite esse upgrade...

É algo que me preocupa muito, honestamente.
Eu percebo pelos teus podcasts que és bastante jovem e nem podes imaginar a euforia que foi a chegada do Broadcast Video às televisões no final dos anos 60 principio dos 70 ( o U-matic). Foi a loucura, era muito mais fácil e barato, de editar e duplicar para distribuir e quase ninguém teve o distanciamento para pensar na evolução, na HDTV que no Japão já estaria em testes... era o agora e venha mais que este já está emitido. Apagavam-se programas e até séries para gravar outros porque o suporte era caro ou não estava disponível de imediato. A RTP ainda manteve as reportagens em filme 16mm (e não 35mm como anteriormente estava escrito) durante algum tempo mas abandonou por razões económicas. Alguns interessantes telefilmes e séries terão assim infelizmente desaparecido... Eu não assisti mas contaram-me (só assisti a chegada do digital com o aparecimento da Quantel paintbox nos anos 80... e mudou tudo em termos de grafismo televisivo :o :shock:, todo o bicho careta que sabia mexer um pouco naquilo mas ideias zero se armava em criativo )
O possível upgrade dos velhinhos registos videotape parece estar a tornar-se possível a julgar pela notícia de que o Peter Jackson vai refazer o "LET IT BE" com inclusão de partes em video melhoradas com uma nova tecnologia (talvez com ajuda da AI ??) vamos ver... se resultar poderá abrir caminho para alguma "arqueologia" (e algumas surpresas) na área do video e da televisão...
Última edição por technicolor em fevereiro 12, 2019, 12:53 pm, editado 1 vez no total.

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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por Samwise » fevereiro 12, 2019, 10:07 am

Tenho estado a acompanhar "à distância", mas com muito agrado, a vossa conversa, por não esta com o tempo todo de que gostaria para poder participar. Mas virei ainda dizer qualquer coisa acerca dos muitos assuntos relacionados que aqui se debatem. salut-) yes-)
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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por RMI » fevereiro 12, 2019, 11:47 am

technicolor Escreveu:
fevereiro 12, 2019, 10:01 am
... A RTP ainda manteve as reportagens em 35mm durante algum tempo mas abandonou por razões económicas.
O possível upgrade dos velhinhos registos videotape parece estar a tornar-se possível a julgar pela notícia de que o Peter Jackson vai refazer o "LET IT BE" com inclusão de partes em video melhoradas com uma nova tecnologia (talvez com ajuda da AI ??) vamos ver... se resultar poderá abrir caminho para alguma "arqueologia" (e algumas surpresas) na área do video e da televisão...
35mm? Pensei que fosse em 16mm...
Essa noticia relativa ao Peter Jackson é de facto interessante. A recente experiência feita com o restauro de imagens da 1ª Guerra Mundial ficou mesmo excelente. Tiveram não só que fazer o scan e limpar ruido como também estabilizar a imagem e até corrigir a velocidade pra retirar aquela velocidade acelerada tão tipica dos primeiros tempos. A quem ainda não viu esse documentário recomendo vivamente. Chama-se "They Shall Not Grow Old".
https://www.imdb.com/title/tt7905466/?ref_=nv_sr_1
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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por technicolor » fevereiro 12, 2019, 12:51 pm

RMI Escreveu:
fevereiro 12, 2019, 11:47 am
technicolor Escreveu:
fevereiro 12, 2019, 10:01 am
... A RTP ainda manteve as reportagens em 35mm durante algum tempo mas abandonou por razões económicas.
O possível upgrade dos velhinhos registos videotape parece estar a tornar-se possível a julgar pela notícia de que o Peter Jackson vai refazer o "LET IT BE" com inclusão de partes em video melhoradas com uma nova tecnologia (talvez com ajuda da AI ??) vamos ver... se resultar poderá abrir caminho para alguma "arqueologia" (e algumas surpresas) na área do video e da televisão...
35mm? Pensei que fosse em 16mm...
Essa noticia relativa ao Peter Jackson é de facto interessante. A recente experiência feita com o restauro de imagens da 1ª Guerra Mundial ficou mesmo excelente. Tiveram não só que fazer o scan e limpar ruido como também estabilizar a imagem e até corrigir a velocidade pra retirar aquela velocidade acelerada tão tipica dos primeiros tempos. A quem ainda não viu esse documentário recomendo vivamente. Chama-se "They Shall Not Grow Old".
https://www.imdb.com/title/tt7905466/?ref_=nv_sr_1
@ RMI Corretíssimo 16 mm e não 35. Maioritariamente Arriflex 16. Obrigado pela correção. Vejo que temos leitores atentos e conhecedores o que implica muita responsabilidade no que aqui se escreve yes-)

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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por rui sousa » fevereiro 12, 2019, 4:28 pm

Technicolor, acho que a maioria dos materiais do Let it BE foram feitos em película. O vídeo infelizmente não permite melhoria da imagem. Mas estou curioso para ver o resultado.

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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por RMI » fevereiro 12, 2019, 4:46 pm

technicolor Escreveu:
fevereiro 12, 2019, 12:51 pm

RMI Corretíssimo 16 mm e não 35. Maioritariamente Arriflex 16. Obrigado pela correção. Vejo que temos leitores atentos e conhecedores o que implica muita responsabilidade no que aqui se escreve yes-)
Obrigado. salut-)
And now for something completely different...

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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por Samwise » fevereiro 12, 2019, 6:33 pm

Relacionado com as questões da preservação do material "físico" registado e armazenado em fita, e ligando este tópico às conversas sobre a conquista do espaço decorrentes do lançamento do filme First Man, eis um artigo (que fala de uma espécie de "documentário") sobre umas certas e determinadas bobines guardadas pela NASA que foram recentemente tratadas e passadas a filme, e que hão de chegar aos ecrãs com o título de Apollo 11...

Artigo na Vanity Fair

Um pequeno excerto para abrir o apetite:
Early one morning this past summer, I joined a small group of people who had gathered at the Smithsonian's National Air and Space Museum, in Washington, D.C., for a private screening of Apollo 11’s first 30 minutes. On the giant screen, the film looked spectacular, in particular the launch: infernal and rumbling up close, as the Saturn V’s five F-1 engines burn 5,700 pounds of kerosene and liquid oxygen per second, and a gorgeous spectacle from a patch of grass few miles away, where a young woman in purple-tinted bubble sunglasses takes photos with her camera, smiling as she snaps.

When the lights came up in the museum’s Imax theater, Miller took questions and comments from the audience. One fellow near the back, at age 87 the oldest at the gathering, happened to be a former director of the Air and Space Museum. He pronounced what he had just witnessed “magnificent.” He did note, however, that the film’s launch sequence, as effective as he found it, doesn’t quite capture the jerky lateral motion that the astronauts felt after liftoff, which he likened to being inside “a wide car being driven by a novice down a narrow road.” One might have been inclined to ask the old-timer how he could be so damned sure of this, were it not for the fact that he was none other than Michael Collins, Major General U.S.A.F. (Ret.) and NASA astronaut from 1963 to 1970.
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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por technicolor » fevereiro 13, 2019, 12:08 pm

rui sousa Escreveu:
fevereiro 12, 2019, 4:28 pm
Technicolor, acho que a maioria dos materiais do Let it BE foram feitos em película. O vídeo infelizmente não permite melhoria da imagem. Mas estou curioso para ver o resultado.
O Let it Be por acaso é o único filme dos Beatles que não tenho e acredito que se Jackson gosta tanto da banda como eu fará um trabalho extraordinário com uma qualidade técnica sem precedentes (à semelhança do LOTR que andava há décadas para ser passado ao cinema imagem real mas era considerado um projecto impossível até o neozelandês (quase desconhecido) entrar em cena, dizer: eu vou fazer...e foi o que se viu...) Acredito também que o dogma de que numa imagem não pode por o que lá não existe de origem (qualidade/resolução essencialmente) estará prestes a ser "contornado" e creio (caramba! "acredito"&"creio" isto já parece quase uma prece, e se calhar até é :-))) ) que evolução da "AI" está a impulsionar as tecnologias para novos e espantosos resultados.

E embora o material de origem seja diferente fiquei boquiaberto com o doc "They Shall Not Grow Old" que o RMI acima mencionou!!! nunca tinha visto nada de comparável em restauro e enhancement de imagem, (nem com o " Voyage a la Lune" conseguiram algo assim e todavia foi notável). Certo que o suporte vídeo é mais limitado que a película, isso sem dúvida mas sei que há um grande interesse em "aproveitar" os muitos "conteúdos" registados naquela tecnologia e melhorar-los ao nível de uma possível comercialização com sucesso nos actuais formatos. Se me perguntarem se será para breve que o conteúdo de uma cassete VHS poderá atingir o patamar 8K com um resultado satisfatório pois acho pouco provável ...mas a médio prazo :?: ...também se em 1987 me dissessem que em 2013 andaria com um equipamento no bolso que me permitiria telefonar para qualquer parte do mundo, assistir a emissões de televisão em directo no meio da rua, tirar fotos envia-las para amigos, fazer cálculos, ouvir música, filmar etc. responderia o mesmo. (desculpem mas andei recentemente a reler Alvin Toffler :mrgreen: ). Mas concordo, aguardemos para ver...

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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por Samwise » fevereiro 13, 2019, 12:50 pm

technicolor Escreveu:
fevereiro 8, 2019, 10:10 am
E já agora como estive a reler o tópico todo desde o início quero deixar um esclarecimento sobre a "desilusão" relativa ao "grão" da cópia do Raiders of the Lost Ark que tenho... não terá sido bem uma desilusão terá sido mais uma surpresa, na realidade nunca tinha visto o Indiana Jones assim tão perto porque grão na película cinematográfica eu sei que naturalmente que existe e até não sou adepto das "remasterizações" com intervenções tipo noise reduction ("grão" não é bem a mesma coisa que noise). Compreendo que para continuar a vender os títulos em novos formatos com mais resolução seja necessário "embelezá-los" mas sou adepto da fidelidade à obra original...
Uma pequena dúvida, de quem honestamente não sabe ( :oops: ), em relação à questão do "grão" e do "rúido" - ou melhor, de quem está habituado a uma realidade paralela que pode não partilhar dos mesmos conceitos de forma directa.

Na fotografia, o grão é produzido no formato físico, na película, e resulta da sensibilidade da exposição desta à luz. O ruído é um conceito muito semelhante, só que é produzido digitalmente, pelos sensores das máquinas digitais, e pela forma como configuramos a tal sensibilidade "carregando nuns botões".

Imagino (desconhecendo) que algo de muito similar se passará no mundo do cinema, já que as formas e ferramentas de "captação" de imagens, e os formatos à disposição são também muito semelhantes.

A minha questão está então relacionada com as "remasterizações" feitas a partir de película para digital. Uma vez o formato transposto para digital, fará sentido tratar "grão" e "ruído" como um mesmo tipo de "componente" da imagem? Ou nesse caso o grão passa todo ele a ser designado por ruído? Ou ainda, ficará o novo formato com incidências simultâneas de grão e de ruído na imagem (e que, em caso de vontade de aplicar "noise reduction", são casos que devem ser tratados de forma particular, aplicando "técnicas" diferentes)?
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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por technicolor » fevereiro 13, 2019, 2:28 pm

Samwise Escreveu:
fevereiro 13, 2019, 12:50 pm
A minha questão está então relacionada com as "remasterizações" feitas a partir de película para digital. Uma vez o formato transposto para digital, fará sentido tratar "grão" e "ruído" como um mesmo tipo de "componente" da imagem? Ou nesse caso o grão passa todo ele a ser designado por ruído? Ou ainda, ficará o novo formato com incidências simultâneas de grão e de ruído na imagem (e que, em caso de vontade de aplicar "noise reduction", são casos que devem ser tratados de forma particular, aplicando "técnicas" diferentes)?
Bom essa é difícil Samwise e eu não sou especialista...
o pouco conhecimento que tenho é proveniente da minha experiência com fotografia analógica; captação e algum laboratório e da migração para o formato digital (1997) quando os sensores andavam pela resolução do megapixel :mrgreen: e também porque desde 1992 que uso o Photoshop ( Lightroom nunca usei) mas ... sim "grão" e "ruído" são de origem diferente como bem afirmas...

A(s) remasterização(ões) é(são) essencialmente uma "intervenção" sobre um original de qualidade "insatisfatória" no sentido de produzir um novo master com "melhor" qualidade e poderá incluir um conjunto de alterações/correcções mais moderadas ou mais "abusivas" consoante os pontos de vista; o do autor será o mais significativo mas o do utilizador prevalece quase sempre, infelizmente.

No que refere ao grão (com origem na emulsão fotográfica) existem originais em que em digitalizações até 2K quase não se percebe... em determinados display, que incluem software de image improvement (só conheço o da Sony, o Bravia Engine e esse já está ultrapassado) noutros menos evoluídos torna-se "desagradável" e comercialmente pouco favorável. No entanto o grão da película (quando surge a tendência de filmar essencialmente com luz natural (Almendros era mestre nesta técnica) e as objectivas ainda não tinham atingido um apuro técnico adequado era necessário recorrer a filme mais "rápido"= grão (da emulsão sensível) maior (penso que sabes ao que refiro) ou se se usasse filme mais lento com grão mais pequeno era necessário "puxar a revelação" e no fim o resultado prático seria quase o mesmo. Nas salas de cinema como espectador está a significativa distância do ecran isso não é perceptível... mas com o advento do HD no Home Cinema a situação muda... ou seja o grão da película faz parte da técnica, poderá chocar as expectativas do "novatos" comparando com o detalhe conseguido com as modernas camâras digitais com sensores de 8K onde é difícil até perceber o pixel ( o moderno equivalente do grão fotográfico). Obviamente que existem filmes antigos fotografados com kodachrome nas quais o grão é pequeníssimo e terão uma definição maior do que a dos sensores 8K actuais, mas eram filmes que mesmo o em exteriores eram rodados com auxilio de enormes "baterias" de focos de arco voltaico alimentados por poderosos grupos geradores (Lawrence of Arabia por exemplo). Resumindo, o grão pode ser desagradável mas "faz parte" aceito-o mas se puder minimizar o seu impacto sem destruir o edge da imagem, usando métodos selectivos (demorados e dispendiosos) não me choca.
Já o ruído (interferência na imagem electrónica) é um conceito que acho que surge com a televisão, como designação do efeito na recepção de imagem e som de uma deficiente transmissão de sinal... e depois é "adoptado" pelo digital para designar o efeito produzido na imagem pelas inadequadas condições de luz ou limitações dos sensores das camaras... ?


Lembro-me de alguma polémica com a primeira edição BD de O Gladiador (2000) que foi rejeitada por muitos compradores... não me recordo bem da razão precisa, se seria, ruído, ou deficiente digitalização ou talvez problemas com imagens provenientes do CGI que por essa altura era penoso de renderizar e então faziam-se algumas pequenas batotas para não demorar tanto tempo. Era o tempo em que os Cray supercomputer eram a ferramenta de topo da industria de FX ...mas só mesmo um geek saberá bem o que se passou com esta edição.

Resumindo, remasterização sim sou a favor... mas sensata, e noise reduction aplicado como cosmética para disfarçar o grão não concordo, acho básico, existem algoritmos de melhoria de imagem (software proprietário) mais evoluídos mas quem os possui faz-se pagar bem...

Peço desculpa se enrolei um bocadinho a resposta mas como disse não é minha praia. Se por aqui andar alguém que domine esta matéria a sua participação será bem-vinda salut-)



Uma curiosidade para os interessados neste tema e que ainda não conheçam
Última edição por technicolor em fevereiro 15, 2019, 9:26 am, editado 2 vezes no total.

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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por rui sousa » fevereiro 14, 2019, 10:09 am

Technicolor, mas a manipulação feita no documentário sobre a I Guerra Mundial partiu deste pressuposto: colorizar as imagens e tentar recriar os diálogos que poderiam estar a ser ditos nessas imagens.

No Let it Be, como há cor e som, não creio que o Peter Jackson quererá "manipular" as horas de filmagens existentes... Vai querer é restaurar tudo e, em primeiro lugar, dar a conhecer um documentário que há muito tempo está na prateleira, e, em segundo e é só uma hipótese, fazer como o recente documentário do Ron Howard (8 Days a Week) e misturar tudo com novas entrevistas.

De salientar que a melhor ideia desse documentário foi darem a possibilidade, como extra, de se ver um mini concerto de meia hora que os Beatles deram nos EUA na íntegra, depois de terminado o documentário. Sem manipulações de imagem.

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Re: HD, Full HD, 4K e agora 8K em menos de 20 anos?

Mensagem por technicolor » fevereiro 14, 2019, 12:53 pm

Rui, o Peter Jackson é um fanático da banda pagou uma "pipa" por memorabilia deles e à sua versão do Let it Be irá aplicar uma filosofia/abordagem diferente(s) da desse seu outro trabalho sobre a WWI obviamente. A "mais-valia" que apresenta no caso do novo projecto é a possibilidade de incluir o conteúdo dessa cassete inédita, "remasterizado" ou seja com uma qualidade melhor... o resto penso que respeitará. Se haverá um salto qualitativo tão significativo como no trabalho anterior não sabemos mas que ele terá algo de novo na manga, o aspecto técnico é muito provável que sim.
Última edição por technicolor em fevereiro 15, 2019, 11:10 am, editado 3 vezes no total.

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