Melhor filme do Spike Lee?

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Melhor filme do Spike Lee?

She's Gotta Have It (1986)
0
Sem votos
School Daze (1988)
0
Sem votos
Do the Right Thing (1989)
7
35%
Mo' Better Blues (1990)
0
Sem votos
Jungle Fever (1991)
1
5%
Malcolm X (1992)
0
Sem votos
Crooklyn (1994)
0
Sem votos
Clockers (1995)
1
5%
Get on the Bus (1996)
0
Sem votos
4 Little Girls (1997)
0
Sem votos
He Got Game (1998)
0
Sem votos
Summer of Sam (1999)
5
25%
Bamboozled (2000)
0
Sem votos
25th Hour (2002)
5
25%
She Hate Me (2004)
0
Sem votos
All the Invisible Children (2005) [vários realizadores]
0
Sem votos
Inside Man (2006)
1
5%
Miracle at St. Anna (2008)
0
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Bad 25 (2012)
0
Sem votos
Old Boy (2013)
0
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Chi-Raq (2015)
0
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Outro
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Total de votos: 20

nimzabo
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Re: Melhor filme do Spike Lee?

Mensagem por nimzabo » maio 4, 2019, 5:55 pm

Para mim, o melhor é, de longe, o Do the Right Thing! :wink:
salut-)

mansildv
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Re: Melhor filme do Spike Lee?

Mensagem por mansildv » maio 9, 2019, 10:09 pm

Samwise Escreveu:
maio 4, 2019, 1:23 am
mansildv Escreveu:
março 21, 2018, 10:05 am
o subvalorizado He Got Game yes-)
Deste nunca consegui gostar... :-( ...nem vontade tenho de voltar a tentar.~
Porquê? :-)

Achei o filme interessante mas já o vi há imenso tempo e não tenho grande recordação :-?

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Re: Melhor filme do Spike Lee?

Mensagem por Samwise » maio 10, 2019, 11:27 am

É um Spike Lee menor, com um arco narrativo carregado de lugares comuns, ainda que tenha um realizador e um actor principal que fazem a diferença face a outras coisas que o mercado deita cá para fora (num plano semelhante, nunca entendi por que razão o Stanley Kubrick gostava tanto do White Men Can't Jump).

Tenho vontade de rever o Do the Right Thing (há muito que já me saiu da memória) e de ver dois ou três dele que desconheço:
- Jungle Fever
- Crooklyn
- Get on the Bus
«The most interesting characters are the ones who lie to themselves.» - Paul Schrader, acerca de Travis Bickle.

«One is starved for Technicolor up there.» - Conductor 71 in A Matter of Life and Death

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Re: Melhor filme do Spike Lee?

Mensagem por Samwise » maio 11, 2019, 10:30 am

nimzabo Escreveu:
agosto 10, 2014, 7:26 pm
Um dos filmes que mais gostei de ver neste mês (vi logo no principio) e do qual ainda não falei é o Do the Right Thing, uma representação do Spike Lee de como a comunidade negra recorre por vezes à violência.
Penso que é um filme absolutamente obrigatório. Excelente.
http://www.imdb.com/title/tt0097216/?ref_=fn_al_tt_1
http://www.rottentomatoes.com/m/do_the_right_thing/
Ontem tornei a ver este, e vou tornar a mudar as notas que dei na votação deste tópico. Uma delas sai do Malcolm X e entre no Do The Right Thing, se bem que é por pouca margem, e considerando que entre um e outro há uma ligação de continuidade, escopo e de evolução do próprio realizador que é relevante. Pelo meio entra também o Jungle Fever (um filme que entretanto confirmei, pelos primeiros 15, que não vi). A lógica disto, no sentido representativo, é que o primeiro filme é uma "crónica de bairro", o segundo já alarga a abrangência para um retrato da cidade, e o terceiro olha para o país/nação e até para fora dele.

Quanto ao Do the Right Thing, parece-me a peça de micro-cosmo perfeita (quase teatral), cheio de elementos representativos "de bairro" que permitem encenar na primeira pessoa as tensões e fricções quotidianas e os rastilhos sociais cruzados que levam à erupção (o momento em que o "copo transborda" ***) e à escalada da violência de um momento para o outro (com movimentos de massas e distúrbios sociais como consequência, e a que toda a gente nas imediações adere, acrescentando os seus problemas pessoais à caldeirada que já ferve), às situações de acusação do todo pela parte, e à escolha selectiva de alvos como escape e canalização para todo o tipo de frustrações. À semelhança do que tenho visto nos outros filmes do Spike Lee, a abordagem é imparcial e justa: o tema principal passa sempre pelo racismo, mas o assunto é tratado separando claramente quem são e quem não são os elementos subversivos e as razões que os motivam, levando por vezes as personagens a reconhecerem, depois do sangue derramado, que estavam erradas.

Outra coisa que aprecio bastante no cinema dele é que não tem problemas em "mostrar defeitos" e radicalizações e em carregar com excessos de representatividade idiossincrática as respectivas personagens (nos filmes dele, todos são "multicoloridos"), até porque depois se serve disso para identificar e mostrar o problema das generalizações. Há uma linha de separação, uma recusa clara em apresentar situações de vitimização e de nelas fazer assentar as bases para a crítica subsequente (algo que sucede até à náusea, por exemplo, no escolhido de este ano pela Academia - o paternalista e politicamente correcto The Green Book - blerg! :mrgreen: )

EDIT --

*** e o momento "em que o copo transborda" no Do The Right Thing foi meticulosamente preparado e elaborado. Por um lado temos todo um build-up de tensões acumuladas até esse momento (ou esses momentos, porque são na realidade dois momentos em que as personagens perdem a cabeça e a racionalidade), com cada personagem a ser construída de um forma em que fica claro para o espectador "de que lado está", o que é que pensa e como é que age perante cada ponto de stress social, e por outro lado temos a formulação/setup dos momentos de erupção em si. Ora vejamos: na primeira situação em que o copo transborda, três negros entram na pisaria com intenções premeditadas de causar transtornos. Um deles pretende exige em tom ameaçador que na parede da loja sejam colocadas imagens/fotografias de personalidades negras (em vez de apenas italo-americanas, como é do direito do dono do local), outro traz uma estereofonia ao ombro com o volume extremamente elevado, e recusa-se a baixar ou a desligar o aparelho, mesmo após repetidos pedidos do dono da pisaria, e o terceiro vem de arrasto, mas já previamente "trabalhado" para estar emocionalmente hostil perante o contexto. Resultado: o dono da pisaria, um tipo branco bastante racional e compreensivo, com zero hostilidade perante questões de género, atinge o ponto de saturação, passa-se da cabeça e rebenta com o aparelho de rádio à bastonada. Está montado o pretexto para o primeiro desacato em massa, com elementos das duas comunidades a juntarem-se num ápice numa luta física pela dominância do espaço. Os motivos deixam de interessar a partir desse momento, e a identidade de grupo passa a dominar os ânimos: são negros contra brancos. Segundo ponto em que o copo transborda, uns minutos mais tarde: após uma carga policial que resulta no assassinato acidental de um elemento negro por polícias brancos, a personagem interpretada pelo o Spike Lee "flipa" também (****) e atira com um caixote do lixo à montra da pisaria. Mais uma vez, a comunidade presente no local, e já devidamente exaltada, adere em massa à violência, destruindo tudo o que apanha pela frente. Juntam-se nestes desacatos todos os elementos da comunidade, por haver nesse momento uma forma de libertação de todas as tensões individuais, e com um alvo bem claro para culpabilizar - o homem branco - o elemento que está a mais no nosso bairro. Interessante que nesse momento até a família coreana que explora a mercearia do outro lado da rua, e que até ai tinha sido alvo de alguns comentários de hostilidade por parte da comunidade negra, passa a ser metaforicamente negra (não são brancos, então "são dos nossos"). Mais uma vez, a identidade de grupo sobrepõe-se a qualquer sentido de racionalidade e serve de pretexto para acusar "o homem branco". Isto é tudo feito com muita precisão pelo Spike Lee.

Andando uns anos para a frente: o Summer of Sam é basicamente a mesma história, noutro bairro, contada a partir de um conjunto de personagens diferentes, e curiosamente sem a questão racial envolvida: não há uma dicotomia negro-branco nesse filme. As fontes de intolerância, contudo, persistem, bem como a identidade de grupo e a canalização de tensões individuais para escapes comunitários conforme os pretextos que vão surgindo. Também é um filme que decorre em dias de muito calor...

EDIT 2

**** - Após segunda visualização da cena, parece-me que o Mookie afinal não perde a cabeça. Pelo contrário, ele e o "Da Mayor" são os únicos no meio da mole que mantêm alguma frieza racional - a acção dele de atirar com o caixote do lixo contra a montra da pisaria é "cerebral", e não um acto irreflectido, com a intenção de desviar a fúria da multidão para a loja, evitando um hipotético linchamento público dos três elementos brancos a quem pertence o espaço.
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Re: Melhor filme do Spike Lee?

Mensagem por Samwise » maio 16, 2019, 12:54 pm

Vi três filmes de enfiada e estou em grande tempo para falar deles - deixo as notas.

- Mo' Better Blues - 6/10 (incursão interessante pelos palcos do jazz, mas relativamente "soft")

- Jungle Fever - 7/10 (menos "intenso" do que esperaria depois do Do The Right Thing, apesar de um outro momento forte. A "subida" para a classe média e para diferente bairros numa cidade proporciona uma outra visão mais abrangente da coisa, mas também uma voz de comando/denúncia mais dispersa e atenuada - o W. Snipes tem uma presença forte na tela, mas não tem capacidade dramática para uma personagem com aquelas características - e daí talvez a carreira que se conhece dele a partir de então)

- Clockers - entre o 8/10 e o 9/10 (este foi outro que vi no cinema na altura da estreia, e de que me recordava apenas de ter gostado bastante. Talvez seja o filme mais explicitamente violento do Lee em termos visuais, logo a começar no "genérico" inicial - a minha (única?) queixa vai para a mescla de géneros e tipos de narrativa que fazem dispersar um pouco o foco do filme - mas é um dos muito bons na filmografia dele.)
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