El crimen de las estanqueras de Sevilla (1991) - Ricardo Franco

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JoséMiguel
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El crimen de las estanqueras de Sevilla (1991) - Ricardo Franco

Mensagem por JoséMiguel » agosto 8, 2017, 12:15 am

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https://es.wikipedia.org/wiki/La_huella ... de_Sevilla
http://www.imdb.com/title/tt0458751/

Sinopse

Filme baseado num evento verídico, onde três homens inocentes foram condenados à morte por garrote vil, em que o próprio realizador da corrente do realismo puro de cinema, durante a sua investigação e estudo dos eventos históricos, entrevistou o padre que acompanhou os condenados em 1952, que sabia que os três homens eram inocentes, pois mais tarde o verdadeiro assassino lhe confessou o crime na sua paróquia. Esse padre, de nome Hermenegildo de Antequera, contou ao realizador Ricardo Franco, (perto de 1991) que o verdadeiro assassino (cuja identidade está protegida pelo sigilo religioso católico) lhe confessou os crimes.

Este filme é um trabalho de ultra-realismo, onde o próprio realizador obteve novos dados históricos em preparação do filme e estudo dos elementos históricos, que depois usou no filme, com grande rigor, palavra por palavra, num trabalho de enorme rigor de reconstituição histórica.

Excerto criado por mim (tenho avaria no meu PC e não posso criar um trailer, apenas um excerto. Mas acho que este excerto é poderoso)



Imagens históricas

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Fotografia tirada pela polícia espanhola em 1952, das donas da tabacaria assassinadas

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Fotografia tirada pela imprensa (Jornal "ABC") em 1952, da tabacaria.

Versão gratuita em streaming, com legendas em castelhano, pela RTVE

http://www.rtve.es/alacarta/videos/la-h ... a/4148618/

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Re: El crimen de las estanqueras de Sevilla (1991) - Ricardo Franco

Mensagem por JoséMiguel » agosto 8, 2017, 2:03 am

Quando um realizador da corrente de cinema do ultra-realismo desenterra verdades históricas...

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Na imagem acima podemos ver um interrogatório fascista em 1952, onde observamos dois homens nús, de gatas sobre grãos de milho espalhado no chão. Em 1945 a União Soviética e a coligação EUA-GB, acabaram com o fascismo na Europa, excepto em dois países neutros: Portugal e Espanha.

Este grande filme mostra as verdades da bela merda que era o Franquismo em Espanha ou o Salazarismo em Portugal.

Como sabem, eu não gosto de artificialismos ou fórmulas literárias repetitivas de Hollywood, e aprecio cinema que procure simular a realidade, os factos verídicos desta história são similares ao filme noir americano do Alfred Hitchcock, feito em 1953 "I Confess":

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Ora bem, eu até gostei desse filme do Hitchcock quando o vi em jovem, e penso que o Rui Sousa já escreveu uma análise acerca desse filme:

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Mas quer dizer, o filme americano de 1953 estava todo engatado lá com a censura puritana-religiosa-política de Hollywood (o Production Code nem deixava criticar a Igreja), que me ofende bastante pessoalmente, ao passo que este filme da TVE foi feito em 1991 com plena liberdade moral e política, para M/18 em Espanha, onde se mostra nudez e se diz asneiras, sempre que tal se justifique por motivos de realismo (mas nunca de forma gratuita).

Por acaso as premissas de ambos os filmes são similares até certo ponto, pois existe um assassino que confessa o crime a um padre católico, mas o filme americano é ficção com final feliz, enquanto o filme espanhol é realístico e morreram mesmo três homens inocentes, condenados por um crime que não praticaram.

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Em cima os actores, abaixo os condenados verdadeiros:

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Eu cá não gosto de liberdades artísticas ou criativas em filmes históricos, pois essa merda é a desculpa esfarrapada de realizadores incompetentes e preguiçosos, que pretendem impôr uma fórmula de argumento cliché, com a ganância de agradar às massas que não gostam de pensar muito, e assim obter grandes lucros nos seus filme comerciais. É certo que num filme histórico ou num documentário utiliza-se a ficção especulativa para complementar os eventos históricos, o que faz sentido... eu só não gosto do desrespeito aos factos históricos, em nome da ganância dos lucros para agrado de espectadores incultos.

Com este, já falecido, realizador espanhol Ricardo Franco de tal não me posso queixar e pelo que andei a ler e pesquisar (notícias de jornal, etc.), este homem ainda foi mais longe do que o simples respeito pelos factos históricos (noticiados pela imprensa fascista dos anos 50), e foi mesmo entrevistar o frade Hermenegildo de Antequera, que por o crime já estar a prescrever em Espanha, e sem revelar o autor do assassinato, contou ao realizador dados novos sobre o caso, obtidos em confissão católica.

Entre os novos dados, o frade explicou que as mulheres da tabacaria eram fascistas de direita, que denunciaram os vizinhos de esquerda ao regime de Franco, que devido às denúncias dessas mulheres fanáticas de direita, foram mortos por fuzilamento contra a parede, por terem ideologia de esquerda. O assassino delas foi um familiar ou amigo das diversas vítimas, que se vingou delas, olho por olho, dente por dente. Mas isto só se soube em 1991, 40 anos após o crime.

Esta informação não consta do filme, mas pode ser lida neste artigo de jornal:

http://www.elespanol.com/reportajes/gra ... 559_0.html

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Na imagem acima, vemos o advogado Manuel Rojo (pessoa real), que defendeu um dos inocentes em 1952, uma coisa que o personagem Manuel Rojo (actor) explica no filme é que o depoimento escrito do condenado continha termos eruditos como "transversal" e outras palavras técnicas e eruditas que seriam impossíveis a um homem quase analfabeto escrever em confissão, pois o homem nem sabia o significado dessas palavras. A confissão foi assinada sob tortura, e escrita pelo comandante da polícia.

Este é um filme muito interessante, e por agora fico-me por aqui...

Scan do jornal "ABC", edição de 1952, com mentiras do regime fascista, acerca dos homens condenados. O título é "Esclarecimiento del Doble asesinato(...)":

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Fonte, com melhor resolução (legível): http://hemeroteca.abc.es/nav/Navigate.e ... 5/014.html

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Re: El crimen de las estanqueras de Sevilla (1991) - Ricardo Franco

Mensagem por JoséMiguel » agosto 8, 2017, 3:02 am

Uns comentários pessoais...

A imagem de marca da União Europeia é a abolição da pena de morte, ainda no ano passado o ditadorzinho da Turquia, aquando do golpe de estado provocado por ele, disse à imprensa mundial que se estava cagando para a adesão à UE, que tinha como condição a abolição da pena de morte (nenhum país da UE pode ter pena de morte). Esse malandro turco disse que se os americanos e russos (dois países selvagens e não civilizados) podiam ter a pena de morte, a Turquia também podia... naturalmente o malandro turco pretendia apenas exterminar os seus opositores políticos e invocou os palermas dos russos e americanos como alibi...

Mas o facto é que a pena de morte não é permitida na UE, e perante isso acho que o excerto que eu criei para o meu canal do You Tube (para estrangeiro ver) será importante para relembrar ao mundo o que era a pena de morte num país estado-membro da UE, como a Espanha. Isto não se passou há muito tempo...

Eu gostei muito de ver este filme, que é gratuito em Portugal no streaming da RTVE, com legendas castelhanas (que ajudam imenso). Já agora se o Drakes estiver a ler isto gostaria de saber se o filme também está disponível no Brasil, pelo streaming do site da RTVE. yes-)

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Re: El crimen de las estanqueras de Sevilla (1991) - Ricardo Franco

Mensagem por rui sousa » agosto 8, 2017, 2:39 pm

Não escrevi crítica, acho, mas gosto muito do filme do Hitchcock.

Fiquei também com curiosidade para ver este. Eu gosto de ver de tudo, tanto a artificialidade de Hollywood como o ultra-realismo! :p

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Re: El crimen de las estanqueras de Sevilla (1991) - Ricardo Franco

Mensagem por JoséMiguel » agosto 10, 2017, 2:35 am

rui sousa Escreveu:
agosto 8, 2017, 2:39 pm
Não escrevi crítica, acho, mas gosto muito do filme do Hitchcock.

Fiquei também com curiosidade para ver este. Eu gosto de ver de tudo, tanto a artificialidade de Hollywood como o ultra-realismo! :p
Acho que afinal foi o Mansilvd que falou do filme do Hitchcock, mas pronto o filme é conhecido de muitos e dá para terem uma ideia da situação em que um homicida confessa um assassinato a um padre católico, mas o padre não pode revelar quem é. No caso deste filme espanhol, a confissão só chegou 20 anos após a execução dos 3 inocentes, mas tanto o padre como os advogados sabiam que os homens eram inocentes, e que foi o estado policial espanhol que torturou os réus de modo a obter uma confissão forjada.

Noutro aspecto, eu não irei comentar ou debater o meu uso do termo "Artificialidade de Hollywood", pois alguém que tenha dúvidas sobre isso não terá bases suficientes para sequer começar a discutir o tema comigo (não gosto de limpar rabos a meninos). Mas quero aqui dizer que o termo "Ultra-realismo" foi cunhado por mim para este filme, devido ao realizador ter ido fazer investigação acerca dos factos históricos, e da forma como o fez, pois este realizador Ricardo Franco não tem nada a ver com um Oliver Stone, um menino americano que está mais interessado em aparecer nas capas de revista e ganhar muito dinheiro com alguns filmes polémicos que faça, para "abanar o sistema". Este Ricardo Franco está muito acima dessas vaidades ou futilidades e obteve elementos novos, usados no seu filme, com depoimentos recolhidos por ele. O padre que acompanhou os réus executados por garrote nos anos 50 viu que o realizador Ricardo Franco queria contar a história verdadeira e fazer justiça, para a humanidade aprender com os erros passados, e foi por isso que lhe revelou parte dos segredos da confissão. Acho que esse padre espanhol nunca teria contado isso ao realizador Oliver Stone, porque macacadas americanas de Hollywood não são uma corrente séria de Cinema.

E vamos lá ver outra coisa, que é uma produção pela TVE espanhola, que não tem nenhuma ambição em ganhar lucros de bilheteira, mas sim obter um filme de qualidade, com os meios técnicos e financeiros à sua disposição. A RTP também deveria ser assim, mas não o é...

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