Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

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JoséMiguel
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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por JoséMiguel » março 17, 2018, 3:19 am

Samwise Escreveu:
março 17, 2018, 1:41 am
(...)Fiquei curioso com um assunto que referes no teu desabafo: as quotas em França para o cinema americano. Não sei nada sobre o assunto. Podes indicar onde podemos ler sobre essa temática? (eu, por princípio, sou contra qualquer tipo de imposições limitativas/quotas/taxas a produtos ou serviços - aplicando-se a filmes em França ou a aço nos EUA, mas gostava de poder ler sobre o assunto antes de comentar)
Vou-te responder com a papinha toda feita, mas permite-me antes fazer um breve apanhado geo-político que afecta o mundo todo, a EU e Portugal.

O Barrack Obama tentou lixar em simultâneo o cinema europeu e o cinema sul-coreano, como pau-mandado assumido subornado e comprado pelos donos dos grandes estúdios de Hollywood (aliás nós aqui no fórum DVD Mania temos um tópico com o título "Os grandes estúdios de Hollywood", que é pessoalmente ofensivo para mim, mas eu não me queixo porque não sou fanático religioso). Mas é bom que a rapaziada do fórum saiba bem da podridão desses tais grandes estúdios de Hollywood, que recorrem a métodos mafiosos para promover o cinema deles.

Em simultâneo os EUA tentarem impôr um FTA, Free Trade Agreement ou Acordo de Comércio Livre, entre o país anormal e bizarro deles e a UE e a Coreia do Sul.

Na agenda estava a mudança de leis internas de cinema como na França ou Coreia do Sul, pois o boneco marioneta do Obama era controlado pelos donos de Hollywood (Máfia criminosa que tem de recorrer a subornos ilegais de presidentes para promover o seu cinema na Europa).

No caso sul-coreano, prestaram vassalagem sob a chantagem do poderio militar norte-americano:

https://en.wikipedia.org/wiki/United_St ... _Agreement

Mas na Europa, o caso foi diferente e começo por dizer mal dos malandros que governavam Portugal:

No Acordo de Comércio Livre UE-EUA (basicamente a UE tornava-se vassalo dos EUA), estavam incluídas leis contra Portugal, que apenas um Primeiro-Ministro português corrupto e malandro poderia assinar, eu vou contar qual foi a lei aprovada pelo governo português, enquanto entidade corrupta ao serviço dos americanos e contra os interesses do povo português:

A lei dizia que deixava de existir D.O.C. Vinho do Porto (Denominação de Origem Controlada), e que as produtoras americanas de Vinho do Porto (uvas na Califórnia) poderiam vender Vinho do Porto, com esse nome, em toda a UE, incluindo nos supermercados Continente ou Minipreço em Portugal.

Que merda vem a ser esta? Já sei que na América vendem vinho do porto falsificado, mas a Europa protege a região portuguesa, e na Europa só se pode vender vinho do Porto se for feito em Portugal.

A maioria dos governantes (corruptos) dos estados-membros da UE votaram sim nesse acordo, que perdoem o meu português mas apenas fodiam todo o povo europeu.

Só a França, o país da Guilhotina e da Revolução é que fez veto a esse acordo, e o veto foi invocado para proteger o cinema francês, que tem os tais numeros clausus (não sei como se escreve) que proíbem cinema de Hollywood acima de uma certa percentagem.

Esse primeiro acordo entre a UE e os EUA foi efectivamente vetado pela França, em nome do cinema francês (já que o governo português foi corrupto e não quis defender o nosso vinho do Porto), em seguida deixo o link para o 2º acordo (altamente secreto e inacessível para os cidadãos de todos os país da EU), que não seguiu em frente por sorte, devido à eleição do Donald Trump (que é muito maluco, mas ao menos não quer lixar o vinho do Porto, como o Obama andava a tentar fazer)

https://en.wikipedia.org/wiki/Transatla ... artnership

Finalmente em resposta ao Samwise, eu já tinha falado deste assunto com ele há uns dois anos atrás, e nessa altura o artigo wikipedia do cinema francês deixava bem claro as quotas de cinema, mas os wikipedias mudam e agora a informação não está lá. Presumo que o Samwise tenha um interesse genuíno (e que não ande a brincar comigo, logo agora quando essa informação foi apagada da Wikipedia) e por isso encontrei este artigo de 1993 do New York Times:

https://www.nytimes.com/1993/12/22/movi ... uotas.html

É que para brincadeiras não tenho paciência, se duvidam que a França tenha leis contra Hollywood, nem sequer tenho pachorra para debater com essa malta. Ainda por cima quando foi notícia da Euronews que o primeiro acordo de comércio livre entre a UE e os EUA foi vetado pela França no Parlamento Europeu, precisamente para proteger a indústria de Cinema Francesa.

Samwise, lamento não ter conseguido encontrar a papinha feita para ti... :-? (Há dois anos estava tudo claro na Wikipedia e agora já não)

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por Samwise » março 17, 2018, 11:28 am

JoséMiguel Escreveu:
março 17, 2018, 3:19 am
Samwise, lamento não ter conseguido encontrar a papinha feita para ti... :-? (Há dois anos estava tudo claro na Wikipedia e agora já não)
Sim, na wiki não se encontra nada sobre o caso francês neste momento (o que não deixa de ser estranho... :-? ).

Em todo o caso, parece-me que é um assunto muito interessante e até importante para debater, e que está na ordem do dia por causa dos efeitos da globalização no comércio provocados pela Internet.

Ainda li muito pouco sobre o assunto (apenas pesquisei alguns textos, não os tendo lido na totalidade), e se por um lado considero que a quotas aparentemente impostas em França e em Espanha para cinema e rádio sejam razoáveis (no sentido em que não são demasiado limitativas ou restritivas e permitem a exibição à mesma de conteúdos estrangeiros em larga escala), continuo a ser mais favorável à não implementação de qualquer tipo de quotas. Vou deixar alguns textos para reflexão, sendo que, como referi, ainda não os li a todos, nem com a atenção devida (são bem mais recentes que o artigo que publicaste de 1993):

https://www.theverge.com/2016/5/25/1176 ... an-film-tv

https://www.hollywoodreporter.com/news/ ... lms-949560

http://www.bbc.com/news/world-europe-34422307

E, o mais importante de todos, a meu ver, um estudo mais aprofundado sobre a efectividade das quotas:

http://gem.sciences-po.fr/content/publi ... 122014.pdf
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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por drakes » março 23, 2018, 2:29 pm

Sobre a censura ou boicote de grupos, pessoas de marketing sabem disso e usam isso para alavancar a popularidade de um filme, como o abaixo mencionado:

"Ryan Holiday, é americano e autor do livro Acredite, Estou Mentindo — Confissões de um Manipulador das Mídias, entre seus feitos ele popularizou o filme I Hope They Serve Beer in Hell (Espero que Sirvam Cerveja no Inferno), de seu amigo Tucker Max. O longa pregava ideias misóginas e tinha tudo para passar despercebido. Para evitar que o filme fosse silenciosamente ignorado, Holiday primeiro espalhou cartazes pela cidade de Los Angeles. Em seguida, vandalizou-­os com fita adesiva. Aí, fotografou as imagens do falso “vandalismo” e as enviou para jornalistas. Nas semanas seguintes, a notícia da depredação dos cartazes estava nas páginas impressas e virtuais dos principais jornais americanos. Todos caíram na balela feito patos. A repercussão chamou a atenção de feministas, que saíram às ruas, desta vez de verdade, para protestar contra o longa. Em poucas semanas, o filme, de orçamento baixíssimo, era debatido e visto nos Estados Unidos".
(texto foi retirado as partes sobre o Brasil, já que o Holiday é um dos gurus aka, fonte VEJA).

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por JoséMiguel » março 25, 2018, 8:20 am

Depois de eu escrever aquele comentário arreliado onde achei que a informação que o Samwise pedia, tinha sido removida da Wikipedia, lembrei-me que existe uma anomalia no artigo da Wikipedia acerca do cinema francês e depois lembrei-me de onde está (ainda!) a informação! A informação está no artigo Wikipedia acerca do país França. Isto é esquisito e bizarro mas na Wikipedia, o artigo acerca da França enquanto país, contém mais informação do que o artigo acerca do cinema de França, aqui está o link:

https://en.wikipedia.org/wiki/France#Cinema

E tenho mais alguns dados acerca do pedido inteligente do Samwise:

A) Sam, não te consigo fazer chegar à legislação francesa (que era o que tu pretendias), pois para isso eu teria de saber ler e escrever bem em francês, bem como ter vivido em França para saber as expressões técnicas deles e saber navegar num site do governo francês. Por exemplo eu compro tabaco de enrolar em Espanha, que custa 280 euros em Portugal, e apenas 70 euros em Espanha (na quantidade autorizada que posso transportar no meu carro), eu sou português e é muito fácil para mim ir ao site do nosso governo consultar a proposta de orçamento de estado para o ano seguinte, e descobrir em Setembro de 2012 que o 1ª Ministro conseguiu alterar a lei portuguesa de forma a que o tabaco de enrolar passasse de 42 euros para 280 euros o kg, em vigor no verão de 2013, homem precavido vale por dois, e em 2012 comprei tabaco de enrolar para 18 meses, poupando milhares de euros. Depois fiz o belo do manguito ao Estado Português e passei a ir de carro de Lisboa a Almendralejo (300 km) comprar tabaco. Mas durante muitos anos não conseguia encontrar a legislação espanhola que determinava o imposto do tabaco, o problema não era a língua porque um mexicano ou peruano também não o conseguiria, os termos jurídicos são específicos para cada país e mesmo um mexicano que fale espanhol desde bebé também não consegue encontrar a legislação espanhola sobre o imposto do tabaco.

Só passados muitos anos é que consegui descobrir como consultar a lei espanhola acerca do imposto de tabaco, em Portugal temos decretos-lei mas Portugal é uma República, em Espanha eles têm decretos reais, depois eles têm os B.O.E. que são os Boletins Oficiais do Estado, o equivalente directo espanhol ao Diário da República português. Em Espanha é proibido o selo com o preço no maço de tabaco, que existe em Portugal, a razão é que existem duas modalidades de preços de tabaco em Espanha. O preço da tabacaria (Estanco) é fixado em BOE (boletim oficial do estado ou decreto-lei no Diário da República, em que existe mesmo um decreto lei que diz que um Marlboro custa x e um Rothmans custa y), mas se for um restaurante a ter uma máquina de tabaco, o preço é livre, por exemplo no ano passado jantei num restaurante, onde o dono colou com fita-cola um papel na máquina de vender tabaco (onde ele escolheu os preços), onde escrevia em espanhol "Preços que eu considero justos, para o trabalho de ter cá esta máquina, obrigado!".

Voltando à questão da legislação de cinema francesa, que proíbe o domínio de Hollywood por Decreto-Lei, se eu demorei muitos anos para conseguir aprender a consultar Decretos Reais espanhóis, com milhares de euros em jogo, que tenho de pagar do meu bolso no imposto do tabaco, acho que é impossível eu aprender a consultar a legislação de França para poder dar a resposta que o Samwise merece, pois essa questão é apenas uma curiosidade cultural (e não anda o estado português a lixar o povo com impostos).

No entanto:

B) Samwise, tu já sabes muito mais do que tu pensas, sobre este assunto, mas assim de repente ainda não cruzaste a informação que já tens. Por exemplo:

Vou citar um tópico meu que tu leste e comentaste, e em seguida irei escrever alguns complementos/esclarecimentos.
Nos próximos posts, irei começar por comentar os méritos e as falhas recorrentes do cineasta, nos melhores filmes da minha ainda reduzia amostra, de seguida irei abordar os eventos históricos em Paris em Maio de 1968, quando rebenta uma revolução popular, o presidente francês refugia-se numa base militar na R.F.A. e o primeiro filme do Jean Rollin é um dos poucos que é possível ver nos cinemas parisienses, durante o famoso "Maio de 68", perante a suspensão da distribuição de filmes, em ambiente de revolução. O problema é que o primeiro filme comercial dele era uma porcaria estilo filme de estudante, em resultado de uma "vigarice" por parte do produtor que intrujou o público francês. Nesse mês o povo de Paris, atirava objectos aos ecrãs do cinema em fúria por serem enganados com o filme deste cineasta, que foi ameaçado de morte e estava cheio de medo de ser linchado pelos cinéfilos mais violentos.

Imagem
On 27 May 1968, Le Viol du Vampire was released to theaters in Paris by Jean Lavie and his associates. Its release coincided with local political events, which resulted in it drawing large audiences. Due to strikes and riots, it was one of few theatrical productions available for viewing at the time. Screenings of the film unleashed taunts, jeers and threats of damage against Rollin.[4]

Jean Rollin explained in an interview: "Le Viol was a terrible scandal here in Paris. People were really mad when they saw it. In Pigalle, they threw things at the screen. The principal reason was that nobody could understand the story".[5] (https://en.wikipedia.org/wiki/Le_Viol_du_Vampire)
Imagem
Poster da revolta popular em Maio de 1968.
viewtopic.php?f=11&t=51602&p=630118

Escrevi isto no tópico do realizador Francês Jean Rollin, e agora vou resumir a situação à Zé, para veres a relevância:

Em 1968 o dono do cinema parisiense queria ganhar mais dinheiro (o que tem lógica visto tratar-se de um negócio). Ele sabia que ganhava mais dinheiro se pudesse exibir mais filmes de Hollywood, mas já em 1968 estas leis de cinema francesas anti-Hollywood estavam em vigor. Ele queria portanto poder exibir mais uma película americana, mas com a lei das quotas, ele precisava que existisse mais um filme francês para compensar a balança. O dono do cinema francês decidiu dar uma ninharia (dinheiro insuficiente para fazer um filme, por mais modesto que fosse) a alguém que fizesse uma merda a fingir que era filme. Do ponto de vista do dono do cinema, ele não queria que ninguém comprasse bilhetes para esse filme francês de merda, e ficaria muito contente com a sala completamente fazia. O que ele queria era poder exibir mais um blockbuster americano de 1968, onde ganharia muito dinheiro, mas para o conseguir e cumprir a lei francesa de cinema, ele tinha de ter um lixo qualquer de filme francês para equilibrar a quota entre cinema nacional e estrangeiro.

O realizador Jean Rollin era incompetente e inexperiente, o rapaz nunca tinha sido realizador nem tão pouco tinha jeito para isso, mas adorava cinema e ficou todo contente com a 1ª oportunidade dele.

Entretanto rebenta o Maio de 1968, um quase golpe de estado ou revolução em França, e apenas por isso esse filme de lixo foi visto por alguém (era o único filme novo em exibição em Paris, durante o mês dos tumultos, devido a circunstâncias extremas do arco da velha).

Eu respeito e admiro o realizador Jean Rollin, mesmo ele sendo incompetente, por razões que expliquei nos meus tópicos do filmes subsequentes dele. Mas o "Le Viol du Vampire" é uma merda, concebida para contornar a lei de cinema francesa, com o intuito de exibir mais um filme de Hollywood em Paris no ano de 1968.

Já agora, um teledisco da banda The Doors, que eu criei com as cenas de um bom filme do Jean Rollin:



PS: Eu tenho mais respeito e admiração pelo Samwise, do que ele pensa. Se não fosse por ele ser membro do fórum, eu não teria escrito este texto pela simples e lógica razão de mais ninguém mostrar interesse neste caso em particular.

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por JoséMiguel » março 25, 2018, 11:24 am

Censura religiosa em nome de Deus, pela Rússia pós-soviética

O caso cinematográfico de que venho aqui falar, diz respeito a uma restauração do séc. XXI de uma obra clássica soviética de 1973, onde foi aplicada a mesmíssima censura fascista religiosa, do Reino da Arábia Saudita, do Salazarismo Português, do Franquismo Espanhol e do Production Code Religioso Norte-Americano.

Isto é muito grave pois a obra soviética foi criada em 1973, durante as ditaduras portuguesa e espanhola (os EUA já estavam ok) onde era proibido criticar a Igreja no cinema português e espanhol (em 1973 os americanos já tinham resolvido o problema).

Falo da mini-série russa "Desassete Momentos de Primavera", muito semelhante à excelente mini-série "Band of Brothers" produzida pelo Steven Spielberg. Mas claro que em 1973, não havia ainda qualquer mini-série ocidental com esta qualidade, que só chegaria com a produção americana "Roots" de 1977, por isso eu criei um tópico em 2013, ao ter ficado impressionado com a qualidade da série russa.

viewtopic.php?f=11&t=46705&p=634808

Há dois dias, um senhor soviético da minha geração (que vive nos EUA e está casado com uma americana), lançou o seguinte vídeo:



Eu adoro o canal dele, onde tenho aprendido muita informação nova, que irei utilizar em futuros tópicos sobre o cinema de leste.

Ele explica que na Rússia actual, a Igreja Cristã Ortodoxa voltou a ganhar o poder, desta vez o Santo Padre no Vaticano pode passear tranquilo no seu papa-móvel com a consciência livre, porque não tem as culpas no cartório que teve durante o fascismo de Portugal e Espanha (por acaso o Vaticano começou a portar-se bem em 1970, quando deu ordens para correr com os cardeais fascistas do Clero Espanhol, porque já não aguentavam tantas matanças e torturas em Espanha em nome de Deus, numa altura em que o Franco mandava fuzilar padres católicos espanhóis, que questionassem o fascismo religioso ou "nacional-catolicismo").

O Vladimir Putin foi um gajo da KGB, na era soviética, em que a ditadura comunista era ideologicamente contra a religião, mas de comunista ele não tinha nada e ideologicamente anda a comportar-se como o Franco e o Salazar. Daqui eu concluo que a KGB não era muito boa, quando deu emprego a um fascista religioso como o Putin, sem se dar conta de que o Putin era igual ao Franco e ao Salazar. :-D Estou agora a imaginar o Franco e o Salazar, desempregados, sentados à porta da KGB a aguardar uma entrevista de emprego, e o director de recrutamento da KGB a dizer "Porreiro, Pá!" :lol:

Afinal o que foi censurado!?

Epá! Cortaram as cenas todas em que o personagem principal (espião soviético a fazer de StandartenFueher, não sei escrever isto) critica a religião com um padre alemão.

Eu conheço a versão original de 1973, e esses diálogos eram bastante pacíficos, para terem uma ideia os diálogos a "criticar" a religião eram tão pacíficos, que nem seriam censurados pelo Salazar ou Franco. Aliás eu nunca vi nenhum filme soviético a criticar a religião abertamente, pelo menos comparado com o que eu escrevo no fórum, ou com os desenhos animados do ateu DarkMatter (é um americano que faz comédia inteligente, estilo o Ricardo Araújo Pereira):



Mas claro, o Vladimir Putin é um fanático religioso fascista e muito inteligente, ele é de tal forma inteligente, que conseguiu arranjar emprego na KGB na era soviética, o que é equiparável a um judeu arranjar trabalho nas S.S. como comandante de um campo de extermínio da Alemanha Nazi. Isto teria graça se fosse uma história de ficção ou um argumento de filme. Mas por ser verdade que anda um fanático religioso a alterar as leis da Rússia, por motivos pessoais religiosos, por exemplo leis contra homossexuais saídas da Idade Média e outras barbaridades, já não tem graça nenhuma.

Há uns anos atrás falei do estúdio de animação Soyuzmultfilm, que tinha uma noção moral soviética liberal, tal como Portugal de Hoje, assim que ocorreu a desintegração da URSS em Dezembro de 1991, os fanáticos religiosos russos pegaram em archotes acesos (não estou a exagerar ou a inventar, isto aconteceu) e foram ao estúdio de animação moscovita queimar as películas, marionetas e fantoches do estúdio, com os seus archotes (eles levavam mesmo archotes acesos como no filme Schreck), em nome de Deus (o mesmo deus dos católicos portugueses), invocando que a animação soviética ofendia o Deus Cristão. Obviamente O Santo Padre no Vaticano não tem qualquer influência sobre os "barbudos" (é mesmo assim que os ucranianos católicos emigrados em Portugal chamam aos sacerdotes ortodoxos russos, a Ucrânia tem as duas religiões cristãs). Quando o Cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano, via Decreto-Lei, haviam 3 santos padres (big bosses) em diferentes regiões do Império, a certa altura o big boss do norte de África foi com os porcos e restavam apenas os bosses (estilo final boss dos videojogos) de Roma e de Constantinopla (Capital do Império Romano Oriental, que aguentou mil anos mais do que o Ocidental, e não sofreu Idade das Trevas). Para resumir, a seita cristã ortodoxa russa deriva do chefão de Constantinopla, rival do chefão de Roma, para eles se calhar isso do Vaticano e Papa é uma cagada da Idade Média, de outra seita cristã que era rival dos bizantinos. Mas se calhar não é bem assim e eu estou totalmente enganado, sei lá.

Perante este primeiro ataque religioso à liberdade moral comunista-soviética (que era semelhante à liberdade moral em Portugal de hoje, o direito português de ser ateu e de poder fazer desenhos animados que não cumpram os mandamentos de Moisés), o bêbado (mas bom rapaz) do Boris Yeltsin foi a correr re-nacionalizar o estúdio em 1992, para proteger a herança e legado cultural do estúdio. Se o Vladimir Putin estivesse no poder em 1992, aposto que ele aplaudia os fanáticos cristãos e ainda subsidiava o petróleo dos archotes que queimaram boa parte do estúdio em nome de Deus.

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por No Angel » março 25, 2018, 3:15 pm

A minha questão é: o cinema soviético e depois russo alguma vez esteve livre de censura?! Que eu saiba não, corrijam-me se estiver errado. Sofreu censura durante todo o período da URSS, e depois continuou a sofrer... os contornos da censura e os motivos podem ter mudado, mas censura é censura. A Rússia nesse sentido não andou pra trás, simplesmente estagnou como país atrasado e que promove censura nas Artes, assim como já fazia antes a URSS.

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por paupau » março 25, 2018, 3:52 pm

A prova e que acabou de banir o Death of Stalin.
Eu gosto sempre de ler este tipo de posts, venham mais.

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por drakes » março 25, 2018, 10:58 pm


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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por drakes » março 26, 2018, 6:33 pm

A censura nos países ocidentais hoje sai do cinema para facebook e youtube e como toda censura é burra.

http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/no ... 92996.html


O Facebook admitiu neste domingo (18) ter cometido um erro ao censurar um anúncio publicitário que exibia a tela "A Liberdade guiando o povo", do francês Eugène Delacroix, em que uma mulher aparece com seios nus segurando a bandeira da França.

A obra-prima do século XIX foi exibida em uma campanha online de uma peça apresentada em Paris, quando foi censurada pela rede social esta semana, informou o diretor da peça, Jocelyn Fiorina.

"Quinze minutos depois do lançamento da publicidade, a administração [da rede social] bloqueou nossa divulgação assegurando que não se podia publicar uma imagem de nudez", explicou Fiorina, diretor de "Tiros na rua Saint-Roch", que estreou na capital francesa.

Após essa resposta, Fiorina publicou um novo anúncio com o mesmo quadro, acrescentando uma faixa com a mensagem "censurado pelo Facebook" cobrindo os seios da mulher. A segunda imagem não foi censurada.

O diretor contou que em junho tentou utilizar duas vezes o célebre quadro - que esteve durante anos nas notas de 100 francos - para promover, sem sucesso, a peça na rede social.

"Naquele momento contatei os moderadores, que se mostraram inflexíveis e asseguraram que, mesmo em um quadro do século XIX, [a nudez] não era aceitável", lembra.

Mas neste domingo, a gigante americana das mídias sociais mudou de opinião e se desculpou "por seu erro".
cont.

JoséMiguel
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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por JoséMiguel » março 29, 2018, 10:38 am

Complemento ao texto do Drakes

Imagem
A Liberdade guiando o povo (em francês: La Liberté guidant le peuple) é uma pintura de Eugène Delacroix em comemoração à Revolução de Julho de 1830, com a queda de Carlos X.[1] Uma mulher representando a Liberdade, guia o povo por cima dos corpos dos derrotados, empunhando a bandeira tricolor da Revolução francesa em uma mão e brandindo um mosquete com baioneta na outra.[1] A pintura é talvez a obra mais conhecida de Delacroix.

https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Liberda ... ndo_o_povo

Comentário meu: A política de fundamentalismo extremista religioso cristão, praticada pelo Facebook, já vem sendo notícia há muito tempo, por exemplo nos escândalos da mulher a dar de mamar, ou da mulher sobrevivente de cancro com uma mama amputada, esta é apenas mais uma gota de água que ilustra a facção ultra-religiosa existente nos EUA, que já foi erradicada em toda a Europa (até a Turquia que é muçulmana, é mais liberal dos que os EUA, no que toca à religião). A explicação histórica é que em Inglaterra já no tempo dos Descobrimentos, era proibido este o fanatismo religioso, por isso os fanáticos religiosos ingleses foram colonizar o que é hoje os EUA (a malta puritana das bruxas de Salem). Se os pais dessa nação dos EUA são puritanos extremistas religiosos, que foram para lá com o único propósito de praticarem fanatismo religioso, já proibido há 500 anos em toda a Europa, o resultado é o Facebook censurar a pintura revolucionária francesa, com a senhora de mama ao léu. Ahh e cuidado que o símbolo da República Portuguesa também é proibido por motivos religiosos no Facebook:

Atenção portugueses!

Imagem
Ilustração alusiva à Proclamação da República Portuguesa a 5 de outubro de 1910

https://pt.wikipedia.org/wiki/Implanta% ... Portuguesa

O símbolo da nossa república é proibido e considerado um crime moral e crime religioso pelos americanos (donos do Facebook e não só)!

Portugueses! Não partilhem a imagem da República Portuguesa no Facebook, pois isso é um delito e pecado.

Esta forma de fanatismo religioso puritano americano deriva de uma ruptura que ocorreu por volta de 1600 (quando os fanáticos religiosos ingleses foram fundar colónias na America do Norte, pois nem o Rei de Inglaterra os tolerava). Em Espanha e Portugal tivemos ditaduras religiosas no séc. XX mesmo a doer, mas uma ditadura religiosa ibérica nada tem a ver com esses anormais americanos (alguns são donos do Facebook) descendentes dos puritanos ingleses do século XVII, que proíbem uma pintura, símbolo nacional de França ou Portugal, com uma senhora de mamas ao léu.

O Facebook ofendeu em simultâneo todo o povo francês e todo o povo português.

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por drakes » março 31, 2018, 4:33 pm

Sobre a Turquia e censura existe um portal em turco, que narra todas as desventuras que ocorre na terra de Erdogan, chamado susma 24, deixo o link abaixo:

http://susma24.com

PS: È possível usar o tradutor para entender o narrado.

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por drakes » abril 16, 2018, 2:55 pm

Série espanhola ‘La Casa de Papel’ irrita os islamitas turcos
Ex-prefeito de Ancara pede a intervenção da polícia e dos serviços secretos por acreditar que a produção esteja se transformando em um “símbolo de rebeldia” muito perigoso

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/0 ... 67388.html

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por Samwise » abril 18, 2018, 6:38 pm

JoséMiguel Escreveu:
março 6, 2018, 11:20 pm
Epá! Qualquer gajo que procure uma separação entre o povo, onde uns têm mais do que outros, como o Estaline, é para mim um gajo de ideologia política de Direita, tanto faz se é o Rei de Portugal, Czarina da Rússia, Presidente dos EUA, ou Premier do Soviete Supremo, um sujeito assim é sempre de Direita. A Esquerda política representa a igualdade e justiça social e neste campo nem a Rússia nem os EUA pescam nada do assunto onde Portugal poderia dar cartas e lições com o nosso SNS.
José Miguel, já não estás sozinho... (embora o Morrissey tenha feito uma associação com sentido inverso à tua :-))) )

http://blitz.sapo.pt//principal/update/ ... e-esquerda
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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por drakes » abril 22, 2018, 1:48 am

Acabou de passar na tv que Rio 40 graus foi censurado entre outras, por que o coronel Geraldo de Menezes Cortes, chefe da Segurança Pública, no Rio, a temperatura nunca chegara a 40 graus grr-) grr-)

drakes
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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por drakes » maio 4, 2018, 6:14 pm

Exibição do desenho animado e hashtag #PeppaPig foram proibidos no país por 'incentivar a subversão'. Pais de crianças chinesas dizem que filhos começaram a rosnar e pular em poças de lama após assistir o desenho.

http://metropolitanafm.com.br/novidades ... er-o-mesmo

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