Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

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JoséMiguel
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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por JoséMiguel » março 6, 2018, 11:20 pm

Vamos lá ver uma coisa...

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O Zé Povinho é um ícone nacional português, que faz o belo do manguito à boa maneira portuguesa.

O Zé Povinho é o meu avatar no meu canal de clips de cinema do You Tube, que se chama "Zé da Adega".

O que a malta do DVD Mania tem de meter na cabeça de uma vez por todas, é que se eu gosto de tabernas com uma pipa ou tonel de vinho tinto, à boa maneira portuga e de fazer o belo do manguito ao governo português e norte-americano, também sou libertino e não gosto nada de ideologias ou regimes políticos, sejam de Direita, Esquerda, de Cima ou Debaixo. Aquilo é tudo uma cambada de corruptos.

Esse comentário que eu fiz acerca do Estaline ser um ditador de Direita, era para o NoAngel, que tanto implicou comigo neste tópico no passado, pois esse rapaz julga que eu sou algum militante comunista (não sou comunista). Por acaso eu já condenei publicamente o Cinema da União Soviética no You Tube, pelo pudor da religião cristã ortodoxa infiltrado nas altas esferas do Soviete Supremo, que proibia a nudez no Cinema Soviético, contra-natura à ideologia comunista e ateísta. Para mim é mais grave a URSS boicotar a nudez e sexo no Cinema, do que ser Portugal ou Espanha a fazê-lo durante o Salazarismo/Franquismo, pois ao menos os ditadores ibéricos detinham alianças políticas com o Clero e por isso tal comportamento (de merda e contra o progresso da sociedade) seria expectável.

Em resposta ao comentário (educado e ponderado) do Samwise, digo o seguinte:

Epá! Qualquer gajo que procure uma separação entre o povo, onde uns têm mais do que outros, como o Estaline, é para mim um gajo de ideologia política de Direita, tanto faz se é o Rei de Portugal, Czarina da Rússia, Presidente dos EUA, ou Premier do Soviete Supremo, um sujeito assim é sempre de Direita. A Esquerda política representa a igualdade e justiça social e neste campo nem a Rússia nem os EUA pescam nada do assunto onde Portugal poderia dar cartas e lições com o nosso SNS.

Mas a malta do Fórum DVD Mania tem de meter na cabeça que eu sou fanático pelo cinema soviético, pelo conceito de Realismo, Profissionalismo e liberdade artística, e não por nenhuma ideologia pessoal. Não confundam as coisas! Reparem que na era comunista os filmes eram pagos pelo governo, sem vista a lucros e eu gosto mais desse tipo de cinema do que a porcaria doentia que Hollywood faz, para agradar a idiotas e crianças.

Espero ter esclarecido alguma coisa. :-)


Samwise
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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por Samwise » março 6, 2018, 11:38 pm

ok - apenas alertei para o facto de estares a chamar os bois pelos nomes... das vacas.

(quanto à "igualdade" e à "justiça social" que a esquerda "representa", isso é assunto para outro tópico e para outros estados e paciência... :-P)
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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por JoséMiguel » março 6, 2018, 11:49 pm

Samwise Escreveu:
março 6, 2018, 11:38 pm
ok - apenas alertei para o facto de estares a chamar os bois pelos nomes... das vacas.

(quanto à "igualdade" e à "justiça social" que a esquerda "representa", isso é assunto para outro tópico e para outros estados e paciência... :-P)
Pois... se o barrete lhe serve, que o enfiem na cabeça.

Se eu chamo boi à vaca do Estaline, se calhar é porque o barrete assenta bem na cabeça dele.

Mas sim, como dizes e bem, este não é o tópico para discussões filosóficas dessas ondas, que nem sequer me agradam, pois se calhar prefiro beber sossegado um copo de tinto numa taberna do que debater política.

Apenas tentei esclarecer a minha posição no meio disto tudo, para que me entendam, nada mais. Não estou a tentar evangelizar ninguém, nem a tentar convencer ninguém a concordar comigo. Eu apenas gosto de lançar ideias para o ar, para que o resto da malta pense nelas, cada qual com a sua ideologia e valores pessoais. :-D

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por Helder Fialho » março 7, 2018, 3:39 am

Esqueci-me de colocar frames do filme 'Sofia ou a Educação Sexual' que referi antes. Acabei por só colocar frames do outro que também tem nudez, 'O Cerco'.
Não tenho o DVD (nem sei se está disponível em DVD) e na net não há muitas pics das cenas com nus. Vou colocar as únicas que encontrei.



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Nesta, a actriz Io Apolloni, que está a começar a despir a outra actriz (que representa o papel da Sofia do título) está completamente nua, embora não seja visível devido ao ângulo.




Queria também chamar a atenção para estes excertos do filme que mostram a liberdade total de linguagem no que diz respeito ao prazer e à sexualidade.


https://www.youtube.com/watch?v=h52QrS57pdg



https://www.youtube.com/watch?v=1UtTXNwxjAQ


Adoro o profundo contraste entre os sinais de autoridade política e religiosa do regime com os retratos na parede de Marcelo Caetano e Américo Thomaz e a cruz de Cristo na sala de aula e o monólogo interior do professor em que ele expressa o que sente.

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por technicolor » março 7, 2018, 9:22 pm

Não sei se já alguém aqui terá abordado o estranho caso deste filme:
Helga - Vom Werden des menschlichen Lebens 1967 (Helga – O Segredo da Maternidade / a revolução sexual)

Bom eu pesquisei mas não encontrei qualquer menção a ele (também não sou grande "pesquisador" :mrgreen: ) por isso coloco as únicas referências que encontrei sobre este curioso "levantamento pontual" da censura durante a ditadura do estado novo para permitir a exibição deste documentário alemão...
Nesse ano de 1969, no final do Verão, o Porto foi surpreendido com a estreia, no Cinema São João-Cine, do filme «Helga – O Segredo da Maternidade» ("Helga - Vom Werden des menschlichen Lebens), de 1967, falado em português de Erich F. Bender, protagonizado por Ruth Gassmann. Um filme que abordava, com «alguma crueza» para a época, os segredos da reprodução humana. Esse filme foi autorizado para um público com mais de 21 anos e avisava-se, que seria pedido o bilhete de identidade aos espectadores sobre quem houvesse dúvida na idade.
Espantosamente, no jornal de 18 de Agosto de 1969, anunciava-se: «prepare-se para ver na próxima sexta-feira o filme escândalo da temporada».
No entanto, a 21 de Agosto de 1969, anunciava-se «o filme educativo de carácter documental cientificamente elaborado».
O filme estreou, no S. João-Cine do Porto, no dia 22 de Agosto de 1969 (sessões das 15H e 30 e 21H e 30), para o escalão etário de maiores de 21 anos.
Era de facto, apenas, um filme com pretensões pedagógicas sobre a fecundação a gravidez e o parto.
Vi esse filme, na Base Aérea do Ota, no início de 1972, durante a recruta. Eu tinha apenas 20 anos acabados de fazer. Nessa altura, a maioridade só se atingia aos 21 anos de idade. Os meus pais tinham assinado um documento a autorizar a minha entrada na Força Aeres, porque eu, á luz da legislação da época, era ainda menor.
Todos os recrutas eram aliás menores de 21 anos. Alguns, pouco mais de 18 anos teriam. Julgo que as autoridades consideraram a projecção desse filme de carácter científico, aos recrutas, como um acto útil e até necessário.
No entanto, algo inquietos com as consequências de mostrar um parto e com a possibilidade de desmaios ou outros acontecimentos perturbadores da saúde mental dos recrutas, montaram um grande aparato de ambulâncias, médicos e enfermeiros prontos a entrevir em qualquer altura. Lembro-me também de que a sala de cinema era patrulhada por olhares atentos a qualquer acontecimento provocado pela projecção do filme.

Porto, domingo, 14 de Julho de 2013
António Tavares

Informação baseada nos anúncios dos cinemas do jornal «O Primeiro de Janeiro» da época.
https://www.facebook.com/GostarDeCinema ... 6000800266


Edit: mais uma escassa referência à exibição do filme em portugal em agosto de 1968
No Verão de 1969, um dos filmes em voga, em Portugal, era o alemão Helga, com o subtítulo O segredo da maternidade. Filme equívoco que suscitava a curiosidade de se poder ver a nudez do corpo da mulher, filmado integralmente...coisa rara no cinema de então.

O filme foi mencionado no número 18, de 15 de Agosto de 1969, na revista Mundo Moderno. A protagonista Ruth Grassman, foi entrevistada:

MM- Este seu filme e uma história de sexo ou amor?
RG- É antes do mais uma história de amor, um hino à mãe, à mulher.
in http://lojadeesquina.blogspot.pt/2009/08/

A sinopse no blog de Julio Ribeiro:
"Helga é um documentário que trata dos aspectos físicos da anatomia humana e da reprodução. Desde os primeiros estágios da gravidez, ao parto, a câmera segue Helga por todo lado, até que ela tenha o seu bebê.Este filme é um documentário que se baseia fortemente na informação médica e educacional.O parto é filmado em "close-up" com notáveis sequências."
o filme só chegaria a portugal no ano seguinte, e... (o que se segue é apenas especulação estilo "diz-se que...") depois de um "violento" eh-) debate entre os ministros da Saúde e Assistência(Joaquim de Jesus Santos) e da Educação (José Hermano Saraiva), contra a Comissão de Censura com o apoio da facção mais reaccionária da Igreja. Curiosamente estes dois ministros de Salazar entraram em funções em Agosto de 1968, a data da exibição do filme :wink: substituindo outras duas velhas carcaças que lá estavam desde 1963. E Salazar? bom o "António" umas semanas antes (3 de Agosto de 1968), tinha dado um "tralho" de uma cadeira de lona na esplanada no forte de Santo António do Estoril onde passava férias e ficou completamente KO até à sua morte em 70 :shock: Coincidência? :como referia tudo isto não passa de especulação dos velhotes que (dizem :mrgreen: ) se lembram destes tempos, mas o certo é que o filme já estaria provavelmente com distribuição prevista, apesar de ter estreado em apenas 2 salas (nos antigos Cinema VOX em Lisboa e no Cinema São João no Porto)

https://pt.wikipedia.org/wiki/10.%C2%BA ... (Portugal) https://www.dn.pt/arquivo/2008/interior ... 26667.html

...e um trailer (americano) no tube. Nada de chocante... mas o ano era 1967 :shock: e Lisboa não era San Francisco (67 foi o ano em que eu nasci :-))) e agosto de 68 foi o meu primeiro verão na Caparica como?-) )



Para quem possa pensar que este foi apenas mais um documentário sobre a sexualidade/maternidade fica o link da wiki onde é relatado o seu impacto a nível europeu. https://en.wikipedia.org/wiki/Helga_%E2 ... hen_Lebens.~

Os emigrantes lusos (alguns) na então RFA (e na França, Belgica, Luxemburgo, Suiça) viram lá o filme e "trouxeram notícias" para a terrinha que dominaram as conversas nos cafés. Obviamente que nesse tempo consta que terão sido pouquíssimas as mulheres (as principais interessadas) que terão acompanhado os maridos, companheiros, namorados às sessões. O homens portugueses da época achavam, na sua grande maioria, que não aquele era um filme para mulheres "sérias" e quanto menos elas soubessem sobre sexo menos exigentes (conscientes dos seus direitos) seriam.

P.S: A página do IMDb do filme, com outro subtítulo (Helga e a revolução sexual!? ), refere como data (ano) de estreia em Portugal 1981 o que não corresponde à verdade. Segundo as informações da filmportal.de o filme teve duas sequelas: "Helga und Michael", 1968, de Erich F. Bender e "Helga und die Männer - Die sexuelle Revolution", 1969, de Roland Cämmerer. Pelo título terá sido o último o que estreou cá em 1981, seis anos após a queda da ditadura e 12 anos depois de ter sido produzido.
Ah! e... também nessa altura foi cá editado um livro elaborado em conjunto com o documentário (patrocinados pelo ministério da saúde da RFA) com o mesmo título... http://www.cybermadeira.com/classificad ... ender.html (não sou eu o vendedor :lol: )
Última edição por technicolor em março 9, 2018, 5:41 pm, editado 1 vez no total.

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por JoséMiguel » março 8, 2018, 10:50 pm

Excelentes posts pelo Hélder Fialho e Technicolor. :o salut-) yes-)

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por JoséMiguel » março 9, 2018, 12:59 am

Excepcionalmente - Censura moral nos videojogos para adultos

É impossível para mim resistir à partilha disto aqui no tópico, o assunto é uma crítica sexual feroz levantada por uma mulher-jogadora do MOD Caveman2Cosmos do jogo Civilization IV :twisted:

Metam já o saco de pipocas a aquecer no micro-ondas, porque isto vai ser muito bom... :p salut-)

Why is sexuality not allowed in the game, but violence is A-ok?

Discussion in 'Civ4 - Caveman 2 Cosmos' started by Laura, Jul 5, 2012.

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A estatueta que minava os livros escolares portugueses de História, durante a década de 1980.

Por acaso, graças a esta senhora que acusou os americanos e australianos de serem puritanos fanáticos, a meterem censura religiosa cristã no jogo de computador, alguns dos tais americanos e australianos da equipa do jogo lá resolveram autorizar a boneca pré-histórica da Vénus de Willendorf, que surgia nos livros escolares do 7º ano das criancinhas portuguesas, quando eu era miúdo nos anos 1980.

Ainda graças a essa senhora, menina ou gaja, foram introduzidos bordéis no jogo, em nome do realismo histórico.

O que foi notável e admirável, foi o facto dos programadores puritanos anglo-saxónicos reconhecerem o problema social causado pela religião cristã nos países deles, até houve um americano que disse logo que morava na Califórnia (referência à libertinagem e tolerância moral) e que não tinha nada a ver com essa história dos americanos puritanos religiosos.

Foi defendido o direito à censura religiosa puritana anglo-saxónica, porque a maioria da equipa era oriunda da Austrália e EUA, e se assumiam como fanáticos puritanos cristãos. Um dos programadores, por ser finlandês foi acusado de ser boémio armado em poeta Bocage, contrário ao puritanismo cristão religioso do resto da equipa anglo-saxónica.

Este debate teve início há 6 anos atrás no ano 2012, vou em seguida colocar o link para o tópico desta jovem menina universitária, que ousou protestar contra o jogo e a perguntar "Que merda vem a ser esta de censurarem a sexualidade no jogo!?" em bom inglês_ Vou citar o primeiro post dela, mas a graça será espreitarem a reacção Trumpista da "Liderança Americana" do jogo, "Amerikka First" nos últimos 6 anos... :wink: teimoso-) E ao mesmo tempo saber dar valor aos directores do projecto que tiveram tomates para meter bordéis no jogo. salut-) yes-)


So like ive been into C2C since I started college this spring, and its like nothing else I have played. It reminds me of Advanced Wars on the Gameboy and DS.

I have a question;Why is sexuality not allowed in the game, but violence is A-ok?

Why is there no fertility dolls in Prehistoric Era?
Why is there no prostitution tech?
Why is their no Polygamy civic?
Why is their no Karma Sutra wonder?
Why is their no pornography tech?
Sexual Orientation rights?
Nudist colonies?
Lingerie shops?
Erotic stories?
Why are brothels allowed but not strip clubs?


In many parts of the world, sexuality in a game is seen as normal, and violence is censored. Why is C2C dumbed down like this? It makes no sense to me at all. Sexuality is a big big part of human history, and as a female i am kinda offended its barely mentioned in the game at all.

http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_human_sexuality

Is it because the game reflects christian values?
Is it because most of the mod team is American?
Is it because its considered taboo?

This s not a family friendly game, and christian mentality should not be the main philosophical mantra at all. I think this is unfair to the international players.

America is not the world. and its christian values don't represent the world.

I dont understand at all. Sexuality is a big part of human history so why ignore it?

Its actually really sexist, because you decide to control the contributions that have affected women in history.

AT LS612
Ive been following your posts, you are the main opponent against sexuality, and I dont like your mentality at all. Why do you want to make this game so kiddy and unrealistic?, and be kinda sexist by denying sexuality in history? The game should be morality free, your christian values shouldnt ruin the game because you find sexuality repulsive.
Moderator Action: Please don't troll the other users.

I dont think its fair to women to not include sexuality in the game. Sexuality had had great influence in history, (Cleopatra, Helen of Troy, Pornagraphy, Gay rights), and it shouldnt be excluded from C2C because it goes against american values.

Besides this, love C2C, keep up the great work!


Laura, Jul 5, 2012
https://forums.civfanatics.com/threads/ ... ok.467728/

Se essa menina não tivesse idade para ser minha filha, se calhar até bebia um copo com ela e discutia a censura moral religiosa no cinema e videojogos. Mas já sou velho demais e ela mora noutro país... :-D

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por Samwise » março 11, 2018, 9:42 pm

Russia Banned My Movie. Hold Your Applause.

The Russian minister of culture has banned my new movie, “The Death of Stalin.” He said its satire was part of a Western plot to destabilize the country. Now the Russian presidential election is looming, and we all know how vehemently Vladimir Putin despises the idea of anyone interfering in the elections of a foreign power; so onto the blacklist my movie went, and no one in Russia is officially allowed to see it.

The last thing I expected was hearty congratulations, but that’s what I got from many film industry insiders. Bouquets of tweets and emails arrived telling me what smart publicity this was and how great this would look on our posters; the Russians had given us a marketing campaign no money could buy.

I had to tell these same insiders that publicity is effective only if it leads more people to buy the product you’re selling, and since my product was banned, then it could not, by definition, be bought. It’s roughly how the marketing director of napalm must feel: He or she can dream up the most imaginative posters, but it won’t make the product more readily available in the shops.

More important, though, this act of censorship gave me no joy; the overwhelming emotion has been one of sad disappointment that in the world of instant communication, and the anarchic dissemination of information, people still think it’s O.K. to ban stuff they don’t like. That they should ban a film making fun of repression is wonderfully ironic, I know, but I still don’t get any kick out of it.

It’s amazing to me that in 2018 people still think censorship works. A poll last month in Russia found that most respondents knew about my film primarily because it had been banned.
Continue reading the main story

And of course, Russians’ famed dexterity in negotiating cybersecurity means that enough of them know how to get the movie online and free. (Someone tweeted me a photo of himself watching it on a laptop in Red Square, right under Mr. Putin’s office window: I admired his chutzpah, but since he was downloading illegally, I also immediately reported him to the authorities.)

There’s something rather mid-20th century about censorship. Then again, that’s no surprise, since international politics is going through a retro phase — the Chinese Communist Party leader granting himself leadership for life, the Russian president announcing he has developed a nuclear superweapon, right-wing parties assuming power in Europe by comparing immigrants to vermin, spies-on-the-run getting poisoned in London. Like ghosts from the past, these old tropes now haunt the present.

Every weekday, get thought-provoking commentary from Op-Ed columnists, the Times editorial board and contributing writers from around the world.
You agree to receive occasional updates and special offers for The New York Times's products and services.

It’s pretty easy, then, to find more of them wherever we look. For example, we can make the leap from a pointless piece of censorship in Russia to Donald Trump’s clumsy attempts to shut down his opponents in the United States. State censorship criminalizes a point of view. It defines someone’s opinion as against the law. So when Mr. Trump tweets that CNN and NBC are “Enemies of the People,” he’s casting what he doesn’t like as illegal. This is someone, remember, whose defining campaign mantra was “Lock her up!”

But Mr. Trump is only doing to excess what politicians have been trying subtly to get away with for years. When Sarah Palin traveled to red states on the 2008 Republican ticket and called them “Real America,” she was implying that anyone from anywhere else was un-American. Hillary Clinton labeling her opponents a “basket of deplorables” just continued that tradition.

I’d argue that what Mr. Trump is doing is less a throwback to the autocrats of the mid-20th century than a very modern consequence of how most of us operate now. If Mr. Trump is brazenly trying to delegitimize criticism, it’s because he’s addicted to social media, the 21st-century weapon that gives users every opportunity to block, unfollow and report anything that makes us uncomfortable.

While it’s good to be able to tackle verbal abuse and messages of hate, I do worry that social media also encourages us to disengage from any argument that doesn’t chime neatly with our own.

Why agonize over how you’re going to respond to an attack when you can just click that attack away? More and more of us default to blocking those who disagree with us. Rather than test our opinions by debating them, we would rather “no-platform” our opponents into not turning up. If we’ve become more militant about our own beliefs, it may be because we’ve barred anyone else from challenging them. We’re like ironclad soldiers who still refuse to enter a battle zone because it’s not a safe space.

That’s why I feel so sad. In a real democracy, many opinions can exist in harmony. If we don’t allow for other opinions, then little by little we grow resistant to democracy.

I’ve always felt there’s nothing wrong in feeling offended. If our views are strong, they should be able to take a joke or withstand a counterargument. If anything, meeting a challenge can strengthen them.

And those opinions need to be very strong indeed: After all, one day a real dictator may come knocking at the door, and how then shall we be ready?
Fonte: https://www.nytimes.com/2018/03/09/opin ... 6006020310
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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por technicolor » março 15, 2018, 10:12 pm

Alinhando pelo post acima, do Samwise... :wink:

...descobri recentemente o cinema de Sergei Parajanov https://en.wikipedia.org/wiki/Sergei_Parajanov tido como um dos grandes mestres do cinema soviético moderno e comecei pela sua malfadada obra prima Sayat Nova (Cor da Romã?) que é algo de verdadeiramente transcendente, mas isso ficará para depois; o que me trás agora a este tópico foi a descoberta, ao pesquisar sobre o cineasta e a sua obra, de algo ...inqualificável que embora não seja propriamente inédito, dada a beleza da obra em questão me deixou digamos que..." indignado". Mas para explicar o porquê dessa minha indignação dou a palavra a que sabe mais do assunto do que eu e fica então aqui a citação de um dos vários textos que encontrei sobre o "assunto" em questão... :shock:
Sergei Parajanov's 1968 masterpiece "Sayat Nova" was censored, re-cut, renamed (The Color of Pomegranates) and banned; its 1969 behind-the-scenes documentary (Tsvet armyanskoy zemli (1969)) was banned and the footage reappeared 20 years later in Mikhail Vartanov's influential documentary Parajanov: The Last Spring (1992), which demistifies the unique film language of "Sayat Nova." Parajanov's "Sayat Nova" appeared on the Top 10 and Top 100 lists in Cahiers du Cinema, Sight and Sound, Movieline and Time Out. Mikhail Vartanov famously wrote: "Probably, besides the film language suggested by Griffith and Eisenstein, the world cinema has not discovered anything revolutionary new until 'The Color of Pomegranates' not counting the generally unaccepted language of the 'Andalusian Dog' by Bunuel." Michelangelo Antonioni later added that the film "strikes with its perfection of beauty."
Shown at the 1980 New York Film Festival without English subtitles (However for later release subtitles were added.) 34 years later, the masterpiece returned to the New York Film Festival, and was introduced by Martin Scorsese who moments earlier accepted the 2014 Parajanov-Vartanov Institute Award - named after Sergei Parajanov and Mikhail Vartanov - on behalf of the Film Foundation for the restoration of Sayat Nova (1969).
Enfim,este caso até teve um bom desfecho mas imagino (pretensão minha) quanta beleza e arte nos terá sido escamoteada pelos "iluminados" que governam o mundo, em nome das suas sórdidas ideologias intocáveis!


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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por JoséMiguel » março 16, 2018, 6:08 pm

technicolor, eu já tinha lido bastante sobre este realizador soviético, quando criei cá o tópico do filme "Shadows of Forgotten Ancestors":

viewtopic.php?f=11&t=51734&p=625304

Um dos filmes mais bonitos que já vi, e até fiz um trailer musical poético "à Zé":



Também já publicitei muito o facto do realizador americano Martin Scorcese adorar cinema de leste (tal como eu, que nem gosto dos filmes do Scorcese), mas eu sou apenas o Zé que divulga cinema de leste num fórum com muitos poucos membros (a maioria dos cinéfilos portugueses não conhece o DVD Mania), ao passo que as iniciativas do Scorcese surtem um grande efeito em desatar o nó bem atado que a propaganda norte-americana criou, durante meio século.

Eu fico mais indignado com o actual cinema comercial liderado pelos norte-americanos, do que com a perseguição política sofrida pelos realizadores do cinema de leste. Ao menos os gajos do bloco europeu soviético apresentaram bom trabalho, apesar da censura... enquanto os gajos americanos só têm para mostrar o estilo de cinema estagnado vencedor de Oscar de melhor filme, que dá muito lucro mas impede a evolução do cinema como arte. No fundo isto é censura comercial vs. censura política. A censura comercial de agora é muito mais prejudicial ao cinema do que foi a censura política na era soviética. É a minha opinião. Isto acaba por ser um problema político e militar do presente, pois se os EUA não tivessem o maior exército do mundo, o presidente sul-coreano não tinha recentemente (regime do Obama) assinado o decreto-lei que permitiu mais cinema americano no país deles, o que prejudicou bastante o cinema sul-coreano. Se não fosse o "bullying" militar norte-americano, se calhar a Europa já teria declarado embargo comercial a esse país sinistro por motivos ideológicos e humanitários ou pelo menos já teria aprovado leis comunitárias como as de França, que proíbem uma percentagem de cinema americano em França superior a uma percentagem X.

Enfim... estes foram os desabafos do Zé... oops:)

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por No Angel » março 16, 2018, 10:15 pm

O cinema americano não sofre censura, isso não tem sentido nenhum. Eu nem queria comentar mas eu leio aqui coisas que fico estarrecido. O cinema americano é extremamente variado, há filmes de orçamento baixo, médio e longo, há filmes mais ousados e outros mais académicos feitos pra ganhar Oscars. Reduzir o cinema americano apenas a esta última categoria é ignorância.

E a Rússia (assim como os outros países da europa de leste) sofreram sim graves formas de censura, e não é por mostrarem nudez que deixa de haver censura, ela tinha outros moldes. O Tarkovski viu-se grego pra conseguir filmar naquela ditadura abominável, basta lerem um pouco sobre isso. E a censura na Rússia continua no presente, não deixou de existir. E acusam os EUA de censura?!! Mas isto tem algum cabimento?

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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por JoséMiguel » março 16, 2018, 10:31 pm

Especial dedicatória minha para o No Angel, discurso oficial do Presidente Ronald Reagan, no dia 11 de Janeiro de 1989. O discurso possui o título de "Ronald Reagan On Patriotism And His Message To America", que me parece ser pertinente e do agrado do No Angel:


No Angel
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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por No Angel » março 16, 2018, 10:41 pm

JoséMiguel Escreveu:Especial dedicatória minha para o No Angel, discurso oficial do Presidente Ronald Reagan, no dia 11 de Janeiro de 1989. O discurso possui o título de "Ronald Reagan On Patriotism And His Message To America", que me parece ser pertinente e do agrado do No Angel:

O quê que um discurso do Reagan tem a ver com censura? Ele não instaurou censura no cinema, que é o que aqui se discute. Porque misturas coisas que nada tem a ver?! Porque te preocupas com uma censura que não existe nos EUA desde o final dos anos 60, quando continua a haver censura na atualidade em paises como a Rússia e Índia? Censura verdadeira.

drakes
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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por drakes » março 17, 2018, 12:09 am

- A última tentativa de censura via proibição e não boicote nos USA ou colocar faixa etária indicativa alta, acho que foi em 1982 com If You Love This Planet, deu errado e o filme ganhou o Oscar de melhor documentário de curta-metragem.

- Discordando um pouco do José Miguel, mas a censura na India e Rússia são mais problemáticas por que ameaça-se as pessoas, em um nível menor, mas ainda grave o que ocorreu no Brasil com o documentário jardim das Aflições que por ser do guru da Direita teve problemas de passar nas Universidades Públicas, inclusive se parou na porrada a seção de cinema, esse lado autoritário que ocorre nos Brics (pulando o C de China) mais Turquia e Indonésia, que muitas vezes os manifestantes são ligados a empregos públicos de livre provimento ou serão. Também não é apenas a esquerda aka que tem empregos em profusões sem passar em concurso público e também melar eventos culturais, se alguém procurar verá que tem dois lados usaram a força em alguns casos (não estou falando em boicote, truculência mesmo).





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Samwise
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Re: Censura no Cinema e TV: Antes e agora...

Mensagem por Samwise » março 17, 2018, 1:41 am

JoséMiguel Escreveu:
março 16, 2018, 6:08 pm
Eu fico mais indignado com o actual cinema comercial liderado pelos norte-americanos, do que com a perseguição política sofrida pelos realizadores do cinema de leste. Ao menos os gajos do bloco europeu soviético apresentaram bom trabalho, apesar da censura... enquanto os gajos americanos só têm para mostrar o estilo de cinema estagnado vencedor de Oscar de melhor filme, que dá muito lucro mas impede a evolução do cinema como arte. No fundo isto é censura comercial vs. censura política. A censura comercial de agora é muito mais prejudicial ao cinema do que foi a censura política na era soviética. É a minha opinião. Isto acaba por ser um problema político e militar do presente, pois se os EUA não tivessem o maior exército do mundo, o presidente sul-coreano não tinha recentemente (regime do Obama) assinado o decreto-lei que permitiu mais cinema americano no país deles, o que prejudicou bastante o cinema sul-coreano. Se não fosse o "bullying" militar norte-americano, se calhar a Europa já teria declarado embargo comercial a esse país sinistro por motivos ideológicos e humanitários ou pelo menos já teria aprovado leis comunitárias como as de França, que proíbem uma percentagem de cinema americano em França superior a uma percentagem X.
Não concordo nada quando dizes que o cinema americano está estagnado e que só tem para mostrar vencedores de Oscar. Para além de que "vencedores de Oscar" há-os de todas as formas e feitios, como é facilmente comprovável se formos olhar para os últimos 10 anos de academia. Olha por exemplo para o Moonlight e diz-me onde enquadras isso num tipo de cinema comercial e estagnado... mas esse é só um exemplo, entre milhares ou milhões de produções que não faz sentido "enfiar no mesmo saco". São opiniões.

Fiquei curioso com um assunto que referes no teu desabafo: as quotas em França para o cinema americano. Não sei nada sobre o assunto. Podes indicar onde podemos ler sobre essa temática? (eu, por princípio, sou contra qualquer tipo de imposições limitativas/quotas/taxas a produtos ou serviços - aplicando-se a filmes em França ou a aço nos EUA, mas gostava de poder ler sobre o assunto antes de comentar)
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