Black Mirror (Channel 4)

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Black Mirror (Channel 4)

Post by JoséMiguel » Fri Oct 10, 2014 2:54 am

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Durante os últimos 10 anos, a tecnologia transformou quase todos os aspectos das nossas vidas, antes mesmo de termos tempo para parar um pouco e questiona-la. Em todas as casas, na nossa palma, a nossa secretária, no nosso monitor ou na nossa tv, no nosso smartphone - encontramos "A Black Mirror" (um espelho preto) do século XXI. Black Mirror é uma contemporânea serie britânica, sobre histórias que tocam realidades ou questões que ainda não foram observadas no mundo moderno.

Fonte: http://thetvdb.com/?tab=series&id=253463&lid=26
Trailer:


Ficha técnica expandida

Wikipédia: https://en.wikipedia.org/wiki/Black_Mir ... _series%29

Ano: (2011 - )

Sinopse wikipédia:
Black Mirror is a British television anthology series created by Charlie Brooker that shows the dark side of life and technology. The series is produced by Zeppotron for Endemol. Regarding the programme's content and structure, Brooker noted, "each episode has a different cast, a different setting, even a different reality. But they're all about the way we live now – and the way we might be living in 10 minutes' time if we're clumsy."[1]

An Endemol press release describes the series as "a hybrid of The Twilight Zone and Tales of the Unexpected which taps into our contemporary unease about our modern world", with the stories having a "techno-paranoia" feel.[2] Channel 4 describes the first episode as "a twisted parable for the Twitter age".[3] Black Mirror Series 1 was released on DVD on 27 February 2012.[4]

In November 2012, Black Mirror won the Best TV movie/mini-series award at the International Emmys.[5]

Nota: Destaques a negrito colocados por mim.

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by JoséMiguel » Fri Oct 10, 2014 7:06 am

15 Million Merits

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Excerto criado por mim. Trata-se da introdução, que considero magnífica, e que aconselho a todos que vejam:



15 Million Merits é a segunda história da primeira época da série de antologia Black Mirror, aqui está a sinopse (desta história), retirada da wikipédia:
A satire on entertainment shows and our insatiable thirst for distraction set in a sarcastic version of a future reality. In this world, everyone must cycle on exercise bikes, arranged in cells, in order to power their surroundings and generate currency for themselves called Merits. Everyone is dressed in a grey tracksuit and has a "doppel", a virtual avatar that people can customise with clothes, for a fee of merits. Everyday activities are constantly interrupted by advertisements that cannot be skipped or ignored without financial penalty. Obese people are considered to be second-class citizens, and either work as cleaners around the machines (where they receive verbal abuse) or are humiliated on game shows.

Bingham "Bing" Madsen (Daniel Kaluuya) is a citizen of the facility who has inherited over 12,000,000 merits and has the luxury of skipping advertisements. In the toilet he overhears Abi (Jessica Brown Findlay), a woman whose voice he finds beautiful, singing a song from before the facility. He encourages her to enter into the X-Factor style game show Hot Shots, which offers a chance for people to get out of the slave-like world around them. Abi however does not wish to do this as she hasn't enough merits and feels she would be unable to perform under the pressure. Bing persuades her and, feeling there is nothing "real" worth buying, purchases the ticket for her, which had been raised from 12 to 15 million merits.

Ficção científica filosófica, "pura e dura" com forte sensibilidade artística.

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Antes demais, a diferença entre um tele-filme, um episódio de uma série televisiva do tipo antologia ou um filme de sala de cinema, reside apenas num rótulo e não no conteúdo. Conteúdo esse que depende apenas de quem o cria. Na verdade, embora estatisticamente um filme de sala de cinema tenha habitualmente mais dinheiro, tem também restrições, limitações e impedimentos muito sérios, aos quais uma produção televisiva consegue escapar...

Ora aqui temos um trabalho cinematográfico (ou audiovisual se preferirem esse rótulo) que, em primeiro lugar, combina a visão futurística filosófica com a sátira social, ao nível genial do Ray Bradbury, George Orwell, Rod Serling e muitos outros, mas que simultaneamente nos apresenta esses conceitos filosóficos através de uma bonita forma artística.

Ou seja, Pensamento + Arte. Esta história é simultaneamente bonita de ver e ouvir, e ao mesmo tempo faz-nos parar para pensar.

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Essencialmente esta história retrata uma realidade paralela com nível tecnológico equivalente à nossa (realidade), em oposição a uma "distopia" do futuro. Por coincidência, vivemos num momento no tempo, em que as mais conceituadas interpretações da linha da frente da Física, enquanto ciência, defendem a existência de dimensões/universos paralelos, como obrigatoriedade fundamental para as teorias funcionarem.

Nesse mundo o povo está condicionado a uma existência "livre", para trabalhar e ganhar dinheiro a pedalar (para produzir energia sob a forma eléctrica), e de seguida gastar esse dinheiro, ou "méritos"/pontos, conforme o título do episódio. Esse dinheiro é usado quer para comer, quer para porcarias do estilo comprar coisas que nem sequer existem, estilo roupinhas para o boneco do avatar do facebook/twitter.

Esse dinheiro/créditos também pode ser usado para desligar os reclames publicitários invasivos, conforme a imagem seguinte:

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Mas se o desgraçado do sujeito não tiver créditos e tentar cancelar um anúncio publicitário, leva com um alarme sonoro estridente, para rebentar com os tímpanos assim:

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Se ele tentar olhar para outro sítio, o anúncio segue o seu olhar, porque o cubículo onde vive, está revestido a ecrans, e se fecha os olhos os sensores detectam esse movimento e activam o alarme sonoro estridente.

Quem é gordo e não consegue pedalar para ter dinheiro para comer, torna-se empregado de limpeza e é gozado pelos outros, na imagem seguinte o protagonista observa a bicicleta vazia do vizinho que já não tinha força para pedalar:

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Parte do condicionamento social do sistema de castas, inclui um jogo de computador first-person shooter estilo Half-life e afins, em que o objectivo é matar os gordos, apenas por serem gordos, jogado com movimentos estilo consola Nintendo Wii:

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Esta obra cinematográfica* tem mesmo muitos assuntos para apreciar, absorver, analisar, discutir e reflectir, e cada indivíduo retira dela coisas diferentes, conforme a natureza pessoal de cada um. Por exemplo no meu caso pessoal, que não gosto da fórmula de Hollywood, por acreditar que além dos motivos da ganância financeira com a sua fórmula repetitiva e restritiva, faz também condicionamento das massas (propaganda político-social-ideológica), vejo esta obra como uma sátira do condicionamento de Hollywood e das cadeias de televisão (incluindo CNN e afins), levada ao extremo e absurdo.

*Cinematografia significa movimento (da disciplina de cinemática da física) e visual (gráfica), mas muita gente embirra com os rótulos da indústria filme vs. tele-filme e podem não gostar de eu utilizar este termo para um episódio de uma série televisiva. :wink:

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No entanto as sátiras mais patentes e óbvias são as redes sociais e os concursos da TV. Na imagem acima um sujeito gasta dinheiro para comprar um penteado para o seu bonequinho do avatar. Isto faz-me lembrar um jogo gratuito no PC chamado "Combat Arms", o jogo é grátis e eu de vez em quando vou lá dar uns tiros, mas raparo que existem uns putos que gastam a semanada para comprar chapéus, bigodes e armas para os bonecos. Não percebo porquê... :lol:

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E quanto a redes sociais, não posso com elas. O email é uma ferramenta e até tenho um canal no You Tube onde coloco excertos para o DVD Mania, mas facebooks e afins são bonecadas para perder tempo. Uma vez tive um colega no trabalho que jogava Farmville para engatar gajas, ele dizia que "aquilo eram só gajas" e ele ia lá fingir que fazia uma quinta virtual para meter conversa com elas. Até tenho a certeza que ele tinha razão, mas o conceito é absurdo! A beleza deste 15 Million Merits é mesmo essa capacidade de satirizar as absurdidades da nossa sociedade actual, e fazer a respectiva chamada de atenção, ao bom estilo do realizador norte-americano Stanley Kramer, que fazia filmes de intervenção político-sociais.

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E tal como no cinema do Stanley Kramer, também aqui temos direito a um grande discurso a par com o discurso do advogado do "Inherit the Wind" e até com o discurso do Charles Chaplin no "The Great Dictator", pelo actor Daniel Kaluuya, que tem um desempenho fenomenal de cinco estrelas. Ele fala contra o consumismo:
"What, I have a dream? The peak of our dreams is a new app for our Dopple, it doesn't exist! It's not even there! We buy shit that's not even there. Show us something real and free and beautiful. You couldn't. Yeah? It'll break us. We're too numb for it."
e contra o condicionamento socio-politico-social das cadeias de cinema e televisão:
"And only then until it's augmented, packaged, and plumped through 10,000 pre-assigned filters till it's nothing more than a meaningless series of lights(...)"
Podem ouvir o discurso e ler o texto (e comentários da malta) no You Tube, mas é spoiler para espreitar apenas após verem este episódio: Antes de encerrar o meu comentário desta história, chamo a atenção de que gostos não se discutem, e esta produção não foi concebida para saciar as massas/maiorias, que já estão de barriga cheia com as séries das cadeias norte-americanas e os filmes dos estúdios norte-americanos, que são estudados matematicamente para agradar às massas, que gostam do "vira-o-disco e toca-o-mesmo". Portanto, a maioria dos leitores do fórum não irá gostar disto, mas tal como alguns (até bastantes) outros apreciadores destes conceitos, eu também sou pessoa e tenho direito a umas migalhas de vez em quando. E realmente eu adorei isto. yes-) :-D

Termino com um screenshot no urinol, em que até a mijar o sujeito leva com reclames publicitários:

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A minha classificação (deste episódio e não da série, que ainda não vi toda): 100%

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by JoséMiguel » Tue Oct 14, 2014 5:43 am

Já vi finalmente todas as seis histórias, feitas até ao momento, que compõem esta série televisiva de antologia.

Vou comentar brevemente cada uma das histórias, evitando fazer spoilers.

S01E01: The National Anthem

A princesa de Inglaterra é raptada, e o raptor exige que o Primeiro Ministro da Grã-Bretanha faça sexo com um porco às 17:00, filmado e transmitido em directo em todos os canais de TV terrestre do Reino Unido.

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A cultura inglesa é muito estranha, esquisita e peculiar. É difícil de entender sequer como se chama aquele país ou o nome da nacionalidade do Zé londrino, o gajo de Londres chamado Zé é inglês? Será britânico? Será um cidadão do Reino Unido, tipo um "Reino-unidense"?

Mais o mais esquisito de tudo é o fetiche e adoração das massas do povo com a realeza, símbolo do opressor e explorador do povo. Epá! Eu não defendo o exagero da violência/genocídio sumários utilizados nas revoluções francesa e russa, como a guilhotina e o pelotão de fuzilamento, mas isto de haver nobreza com uma vida luxuosa sustentada com os impostos do povo, em pleno século XXI, é no mínimo esquisito...

Mas talvez devido a essa anormalidade do povo britânico, até fique bem ver o Primeiro Ministro do Reino Unido a fornicar com um porco, em nome dos "bons" costumes e tradições lá dos tipos daquelas ilhas, que gostam do reizinho e da princesinha.

Esta história acaba por ser cinema de intervenção interno, em que os ingleses se criticam a eles próprios, "para inglês ver" (expressão portuguesa).

Em Portugal não existem reizinhos (felizmente), mas aqui ao lado, em Espanha ainda há reizinhos, o que será que os espanhóis acham desta história? :badgrin:


S01E02: Fifteen Million Merits

Escrevi uma crítica exaustiva, na mensagem anterior. É a minha história preferida e a única que nos transporta para outra realidade. Quem me dera que as outras histórias fossem tão boas como esta.


S01E03: The Entire History of You

Esta história mostra-nos uma realidade paralela, baseada em tecnologia que já existe e funciona na nossa realidade. Aqui as pessoas têm lentes de contacto que filmam tudo o que veêm, desde que nasceram, e gravam tudo num disco rígido implantado no pescoço.

Por exemplo, o protagonista vai apanhar um avião, e o checkpoint do aeroporto, em fez de verificar o porte de armas, vai analizar todas as pessoas com quem ele se cruzou nos últimos meses... Não vá ele ser amigo de algum árabe, um comunista ou sei lá... um inimigo do Estado!

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Apesar desta história estar muitíssimo bem planeada e executada, foca-se muito no aspecto telenovela de amantes ciumentos, tema de que não gosto.


S02E01: Be Right Back

Um sujeito morre, e a viúva compra um andróide com a inteligência artificial baseada no marido defunto.

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Achei esta história péssima, porque já existe um filme dos anos 1990 chamado "O Homem Bicentenário", que é melhor em todos os aspectos.


S02E02: White Bear

Esta história é muito fraca, é apenas um thriller cliché, aborrecido e previsível.

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Como não tenho nada de positivo a dizer, fico calado.


S02E03: The Waldo Moment

Esta é, de entre todas, a história mais corajosa e perigosa para os autores. Aqui os membros do governo são considerados marionetes, comandadas por [não se sabem bem quem]/[shadow government], e um tipo artista que mete a marionete CGI dele, chamada Waldo, a concorrer nas eleições do governo do Reino Unido, é contactado pela CIA, pois os norte-americanos querem usar o desenho animado Waldo, como marionete política em países estrangeiros da América do Sul, comandados pelos americanos.

Ou seja, os donos dos políticos-marionetes acham que um desenho animado político é melhor do que os políticos-marionetes de carne e osso.

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É ainda sugerido que os políticos não servem para nada, e que deveria ser o povo, através da internet, a tomar decisões.

A nível de entretenimento, esta sexta história é muito fraca e pobrezinha, mas é a mais forte e poderosa a nível de "cinema" de intervenção político.

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by Gaspar Garção » Thu Jan 29, 2015 12:28 am

Grande série, provocadora, irritante, mas nunca fácil...

José Miguel, já viste o fabuloso especial de Natal, o "White Christmas", com o John Hamm e o Rafe Spall?
Na baliza Jackson, defesa com Scorsese, Coppola, Spielberg e Eastwood. No meio campo, Ridley Scott, Wes Anderson, Pollack e Carpenter. Avançados, Woody, e solto nas alas Tarkovsky. Suplentes: Bunuel, Fellini, Kurosawa, Visconti, Antonioni, Lynch e Burton.

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by JoséMiguel » Thu Jan 29, 2015 1:33 am

Gaspar Garção wrote:Grande série, provocadora, irritante, mas nunca fácil...

José Miguel, já viste o fabuloso especial de Natal, o "White Christmas", com o John Hamm e o Rafe Spall?
Já vi sim, e acho o episódio melhor de todos... muito poderoso, inteligente e filosófico! salut-) yes-) :-)

Com que então já andas a tropeçar nos meus posts, aqui na secção de TV do fórum... :-)))

Vé o meu tópico da série canadiana "The Outer Limits", pois aquilo é a minha cereja no topo do bolo, a nível dos meus gostos pessoais sci-fi. :-P

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by Gaspar Garção » Thu Jan 29, 2015 2:20 am

Eu ando é a deitar a tese às urtigas, eh, eh, mas é tão raro encontrar alguém que tenha gostos parecidos com os meus (tu e o Lorde X), que fico entusiasmado e que se lixe o mestrado!!!!

Quanto ao Outer Limits, no tempo em que dava na TV, gravei a série original e a maioria dos episódios da nova versão, lembro-me que começou com um episódio em duas partes, baseado no conto Sandkings, de um escritor que na altura era pouco conhecido, um tal de...George R.R. Martin. :)

No Limiar do Desconhecido, na TV2, era o título da versão original (e aquele genérico!), há anos que ando há espera que saia em dvd, mas se pararam a Twilight Zone ao fim de 3 séries e não publicam o resto, há poucas esperança para esta, ou para a Night Gallery, a série que o Rod Serling fez a seguir ao Twilight Zone...

Por falar em séries compilação de contos fantásticos e SF, gravei recentemente (de um site russo) em dvd, uma das minhas séries favoritas, de um dos meus escritores favoritos, que deu em parte na TV2, conheces?

http://www.imdb.com/title/tt0088591/?ref_=nv_sr_1

E amanhã vou já ver o teu tópico do Outer Limits, prometo!!!
Na baliza Jackson, defesa com Scorsese, Coppola, Spielberg e Eastwood. No meio campo, Ridley Scott, Wes Anderson, Pollack e Carpenter. Avançados, Woody, e solto nas alas Tarkovsky. Suplentes: Bunuel, Fellini, Kurosawa, Visconti, Antonioni, Lynch e Burton.

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by JoséMiguel » Thu Jan 29, 2015 3:05 am

Claro que conheço o Ray Bradbury Theater, através da exibição na TV portuguesa por volta de 1991-2. Os dois espisódios mais memoráveis são estes dois:

a) o turista de safari pré-histórico que viaja no tempo para caçar dinossauros, regressa a uma América Nazi, por ter pisado uma borboleta.

b) "O Pedestre".

Em realação ao The Outer Limits, o meu tópico é este:

forum.dvdmania.org/viewtopic.php?f=40&t=46527

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by Gaspar Garção » Thu Jan 29, 2015 4:48 pm

JoséMiguel wrote:Claro que conheço o Ray Bradbury Theater, através da exibição na TV portuguesa por volta de 1991-2. Os dois espisódios mais memoráveis são estes dois:

a) o turista de safari pré-histórico que viaja no tempo para caçar dinossauros, regressa a uma América Nazi, por ter pisado uma borboleta.

b) "O Pedestre".

Em realação ao The Outer Limits, o meu tópico é este:

http://forum.dvdmania.org/viewtopic.php?f=40&t=46527
Já estou a ler, Zé, vamos ver o que daqui sai, eh, eh!!! :)

Quanto ao Ray Bradbury Theater, só recentemente descobri que depois de a série ter sido "abandonada" pela HBO, continuou no Canadá, e fizeram mais umas quantas séries, elevando o número total de episódios para 65 (eu, tal como tu, só conheço as séries que deram em Portugal, as duas primeiras).

Mesmo tendo gravado os dvds sem legendas, vou vê-los e deliciar-me com os episódios que conheço (e os que não conheço).

A série também é fascinante, porque o Bradbury escreveu alguns argumentos originais, a juntar aos magnifícos contos que já conhecia das colecções da Argonauta e da Caminho.
Na baliza Jackson, defesa com Scorsese, Coppola, Spielberg e Eastwood. No meio campo, Ridley Scott, Wes Anderson, Pollack e Carpenter. Avançados, Woody, e solto nas alas Tarkovsky. Suplentes: Bunuel, Fellini, Kurosawa, Visconti, Antonioni, Lynch e Burton.

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by drakes » Sat Sep 26, 2015 2:50 pm

A terceira temporada de Black Mirror irá ser produzida pela Netflix


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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by drakes » Mon Sep 05, 2016 3:43 pm

Estréia no Netflix da terceira temporada 21 de Outubro

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by drakes » Sat Oct 22, 2016 8:08 pm

Acabei a terceira temporada, são 6 episódios, continua centrada na tecnologia e suas consequências ou verdade e conseguência do futuro possível, um deles San Junipero pela primeira vez na série os avanços tecnológicos tem uma performasse positiva, além do citado episódio, mais dois eu destacaria Hated in the Nation e Shut Up and Dance.

Até o momento, apesar dos poucos votos a terceira temporada vem bem avaliada, mas curiosamente um dos melhores episódios para mim, The Waldo Moment, tem a pior nota, e é uma das mais reais, principalmente pensando em eleições brasileiras, tiraria a cia para empreiteiras mesmo, eu não sou daqueles que acredita que o mal precisa vir de fora cada país tem o seu.

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by PanterA » Sun Oct 30, 2016 5:59 am

Boa season, mas as outras transactas pareceram-me que foram bastante mais desafiantes, imersivas e acima de tudo muito mais provocadoras.

Muito dos episódios centraram-se na tecnologia em si, algo que já tinha sido discutido e dissecado os seus prós/contras em vários contextos. Tanto que o meu episódio favorito desta season foi mesmo o 3º. Esse sim, genial do inicio ao fim com um brutal e super bem feito plost twist no fim. Já apanágio da série verdade, mas este em particular foi mesmo uma daquelas facadas.

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by lud81 » Thu May 11, 2017 10:08 pm

Fogo, esta série é a melhor mindfuck que há actualmente. Qual Twilight Zone, qual Twin Peaks! Refiro Twin Peaks pois embora não tenha muito a ver, foi a mindfuck da TV dos anos 90, cortesia do sr. David Lynch. Twilight Zone é uma comparação mais adequada.

Não descobri a série agora, já comecei a ver há para aí2 ou 3 meses, e já tinha visto 6 episódios, ou seja, as duas primeiras seasons.

Agora mesmo acabei de ver o episódio White Christmas e vim aqui por isso. Porra, a imaginação e inventividade de Charlie Brooker não têm limites!

Uma série de sátira fortíssima, sem dó nem qualquer tipo de piedade, nem pelo tema satirizado, e nem tão pouco pelo espectador, que tem a garantia de acabar todo e qualquer episódio na maior depressão. :-))) Black Mirror é o autêntico murro no estômago. %-) E eu adoro! orgulho-)




PS: estive a ler sobre o Brooker e o homem já anda a satirizar as tecnologias (nomeadamente a TV) desde sempre. Fiquei extremamente interessado em familiarizar-me com o trabalho dele para além desta série.

Aqui fica um exemplo:

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by JoséMiguel » Fri May 12, 2017 12:12 pm

lu81, genial esse clip a demonstrar a estupidez da fórmula cliché do cinema de Hollywood ou da TV, neste caso a fórmula previsível e repetitiva do formato da reportagem telejornal. Isto é genial pois ando sempre a criticar o uso de fórmula no cinema, e este clip irá decerto dar muito jeito. :twisted: :badgrin:

PS: O especial de natal é um episódio excelente. salut-)

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Re: Black Mirror (Channel 4)

Post by lud81 » Fri May 12, 2017 2:10 pm

Então aqui vai outro:



Engraçado como eu ando a dizer o que é dito neste vídeo desde o 1º Big Brother, em 2000 ou 2001! Lembro-me perfeitamente de conversas com colegas de universidade em que eu dizia que o Big Brother tinha muita montagem de modo a fabricar momentos e relações, e os/as colegas respondiam que não tinha montagem porque era filmado em tempo real. Deviam ver este vídeo.
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